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Quando

O doce som da máquina de lavar pratos fazendo o meu serviço por mim. Gosto demais dela.

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Adoro o momento em que o Repispótis descobre de onde vem aquela cicatriz. A história das marcas que carregamos é sempre surpreendente e dolorosa.

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Época assim, de descongelar o freezer (pra, se deus quiser, desligar de vez), é quando lamento mais ser uma pessoa insuportável, sem amigos.

Eu gostaria de montar uma força-tarefa para acabar com essas delícias e seria, eu acho, divertido.

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Esse 2023, por brevíssimos momentos, achei que A Vida Que Eu Poderia Ter E Não Tive fosse voltar a ser meu amigo. Não que ele tenha anunciado isso, porque, claro, não anunciou. Mas contou uma tonelada de cousas e viveu outras e eu achei que… sei lá, que voltaríamos a ser o que fomos naqueles poucos meses em que ele estava entre um relacionamento equivocado e outro, há tanto, tanto tempo: amigos que se frequentavam (na verdade que me frenquentava, ele nunca me convidou pra ir na casa dele, como sói acontecer), que bebem juntos e conversam. Achei sozinha e, claro, não rolou. Como qualquer macho acima dos 50 (devo declarar que os de abaixo também), AVQEPTENT prefere qualquer espécie de relacionamento, qualquer coisa, a ficar só. Então os brevíssimos momentos foram realmente muito breves. Me livrei das garrafas no freezer (uma coisa a menos para fazer) e seguimos.

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Este balancete de começo de ano sobre AVQEPTENT me fez lembrar doutra coisa pra botar na minha lista de coisas a fazer em 2024: parar de esperançar a respeito de amigos. Este é um exercício quase sem sentido pruma dona de 53 que não tem muito tempo de planeta de sobra, mas seria bom. É patético num grau inexplicável uma senhora gorda e descabelada conferindo a qualquer imbecil o título de “meu melhor amigo”, como se a. eu tivesse 13 anos b. alguém desse a mínima.

Quando

[no celular:If you leave me now, Leonid & Friends e Arkady Shilkloper]

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trecho de Todo o tempo em que permaneci de joelhos esperando por você, de Olimpia Caballer (no prelo)

Passou da hora

Vejo listas sinceras de resoluções para 2023 aqui e ali. Nunca fui capaz, é como controle de orçamento, não sei fazer – ou não tenho disciplina para fazer, o que dá no mesmo.

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Que em 2024 eu aprenda a dizer: eu não sei. Terei 53 em 2024, passou demais da hora.

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Que em 2024, sempre que eu pensar para que me dar ao trabalho?, eu realmente não me dê ao trabalho.

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Os querido Paulo continuam, ainda que aqui, ainda que para você.

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Os Diarinhos continuam. Ninguém lê, mas eu leio (hahahaha, continuo pagando a anuidade do Instituto Vozes da Minha Cabeça)

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Colega de trabalho não é amigo. O tipo da coisa que, mesmo com quase zero chance de levar adiante, tenho de me esforçar, muito mesmo, pra incorporar no dia a dia.

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O mais importante pra mim: você. Eu vou voltar para você. No fim, no fim mesmo, somos só nós dois. Sempre fomos.

8

Cabe tudo em um caderninho, 
o que foi escrito e o que não foi, 
o que vivemos e o que se perdeu, 
o silêncio de cada passo, 
as trovoadas que nos cobriram, 
o barulho do metrô parando numa estação que,

eu sei,

nunca existiu.

11


De muitos pedacicos e colagens e histórias e fazeres e papelitos coloridos e embalagens de mequidônis se conta uma história como a nossa. Rótulos dos vinhos que não bebemos, histórias de infância que não compartilhamos, telefonemas interrompidos e pastilhas para dor de garganta. Sinto sua falta, mas a tristeza é tão maior. Hoje chorei no meio da rua, como não fez a mocinha da música do Vanzolini. Vim andando, chorando, alarmando os moradores pacatos deste bairro surreal. Decidi com quem me é mais cara e próxima que vamos trabalhar com colagens, uma forma bonitinha e bem-humorada de colar pedaços dolorosos, quase invisíveis de tão dolorosos, quase azuis de tão dolorosos, de tanto que queimam e trepidam e levitam e suspendem.

Querido Paulo, querida Fal

Querido Paulo, com seu texto do arroz em mente, que foi muito sério para mim, depois da aula da Silvane eu lavei um cacho de uvas verdes, botei sal e azeite nele e botei no forno. Daí eu bati um ovo com duas colheres de aveia não muito cheias, sal e leite para dar liga e botei na frigideira pequena. Dei aquele balancê no pulso pra ela chiar dum lado e do outro. As uvas lá, no formo. A Miminha, a mais friorenta das gatas, cola no forno quando ele tá aceso e eu quase tropecei umas três vezes. Sim, Paulo, tava 31 graus hoje, mas ela é doida. A gente já acostumou. Daí botei o bolinho de frigideira num prato e cobri aquele creme de queijo que na verdade é feito com iogurte por cima, sabe qual? e, por cima, as uvas. Sal e azeite e pimenta calabresa e almocei no mais absoluto silêncio olhando a gata (a outra), dormir. Dei aula a tarde toda, mas além disso, eu também fiquei pensando, o que é uma coisa muito ruim de se fazer, não importa se a pessoa está ou não trabalhando. Que também é uma coisa ruim de se fazer.

2023\11\22

Leitura do Max, leitura do Paulo

Segunda-feira. Li um texto novo do Paulo. O que me fez pensar a respeito de o que quero da minha vida de agora em diante. Para depois ouvir a resposta em meu peito: nada.
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O Max leu meu texto hoje e me perguntou porque a personagem continua viva. O que a faz viver, Fal, dia após dia. Ela tem uma missão? Ela tem esperança? Ela tem um amor, um filho, uma causa? Não sei explicar a verdade para o Max porque eu mesma a desconheço. Ela está viva. Ela está. Sem causa, sem um Yoda, sem horizonte, sem artigos dez dicas para terminar seu livro. É o livro mais dífícil que já escrevi na vida. Choro enquanto escrevo e falo sozinha (mais do que de hábito). Não posso parar, assim como a minha narradora continua viva, porque sim. Eu e minhas respostas de adulto. Sei disso.

Vem cá, meu bem

Repetir para Elaborar

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Águas Passadas