palavras estranhas

Desordem, correria, cansaço, papelada, canetas, cores, calor, calor, calor, pressa, vontade de sumir, desalinho, suco de goiaba, flores bem estranhas, juras eternas, desencontros inevitáveis, desaforos desnecessários, maldadezinhas tão tolas (já estou nas cordas, nada disso era necessário, meu bem), palavras estranhas, falta de zelo, pequenos objetos espalhados, pensamentos recorrentes, visões desconcertantes, horas silenciosas, uma tela que não pisca.

Rádio-Drops: Todo se transforma

Queria demais acreditar nisso, que você recebe o que dá. Não é um conceito correto, porém, sob qualquer ponto de vista. Você recebe mais do que dá, igualzim-quenem ou muito menos do que dá dependendo de um zilhão de acordos, coincidências, mais ou menos doses de amor-próprio e outras milhares de circunstâncias impossíveis de listar num blog curto. Mas pra dançar com quem se ama e cantar junto bem alto, essa canção é imbatível. Das muitas coisas que jamais faremos. Juntos, pelo menos.

dentes trincados

No fim a gente tem o quê? A casa da gente. Eu tenho o meu Drops. Vai ficar tudo bem.

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Tive um padrasto maestro. Ele tava preparando os arranjos duma cantora e tinha umas músicas sei lá eu, meio cafonas, acho, e lá pelas tantas ele virou pra ela e falou “Ô Fulana, o nome do elepê é como ‘Ai como era grande’, é?”. Eles riram, eu ri e o moço da mesa de som do estúdio teve que ficar de pé e ser abanado de tanto que riu. Nem sei porque fui lembrar disso agora.

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Adultos inocentes, confusos, vacilantes, fazedores de beicinho, choramingando. Corpos e desejos e despesas de adultos, mas almas de pobres bebezões confusos e dodóis. Faça-me o favor, Brasil.

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O cara acha que me ofende me chamando de paulista. Meu querido, eu nasci na mesma maternidade que o Paulo Maluf, ser paulista não é a pior coisa que já me aconteceu.

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Ordem dos livros favoritos de Rerispótis meus: 1 4 5 3 2 6 – o último livro eu finjo que não existe. Enfim, informação que achei importante compartilhar com a comunidade.

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Mulheres não resolvem a vida com um amistoso e catártico soco na cara, né, a gente sorri, o peito borbulhando de dor e segue em frente. Inda manda um “tudo bem”, porque qualquer outra cousa seria crise de choro no meio dum dia de trabalho. Ser mulher é uma coisa muito louca.

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DR com loja de material de limpeza. Taquei pedra na cruz.

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Alguém me perguntou como suportar e eu disse algo sobre dentes trincados, álcool, respirar pela barriga e palavras no papel, mas esqueci duma delícia: uma jarra d’água trincando de gelada, muitas folhas de hortelã, um limão inteiro em rodelas (ou picado, se você for mais competente do que eu às voltas com tábuas e fios). As tais palavras, creia, escorregam melhor para o papel durante uma tarde-maçarico como as que São Paulo vem produzindo com tanta competência.

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Boteco que vende comida chinesa com preço de comida de boteco. Meu bairro, meu mundo.

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A sensação de ser bom em alguma coisa é uma delícia.

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Fevereiro acabando e alguém precisa me dizer que março trará um ensaio de fim de calor, porque sinceramente, deu. Tem um monte de coisa que podia acabar em fevereiro.

A Simone trouxe um bolo

A Simone trouxe um bolo. A ocasião não era de bolo, ainda que fosse, entende? Eu tinha assumido um trabalho grandão e a entrega era naquele mesmo dia. Fazia uma semana que tínhamos sacrificado nosso lindo Chico e estávamos (ainda estamos) muito arrasadas. E eu, que não ligo para o meu aniversário (não diga que eu não gosto, apenas não me emociono tanto assim com meu próprio nascimento) estava completamente destruída com o telefonema que não aconteceu. Com as felicidades não desejadas. Com o merecimento da desatenção. A Simone trouxe um bolo. E aquele bolo, aquele gesto, aquela entrega, foram o ponto alto de um dia tão raso. Reconhecer, mais uma vez, que  pequenos gestos revelam o papel que desempenhamos na vida dos outros doeu mais do que qualquer outra maldade. Não é o primeiro reconhecimento, não é a primeira dor. A Simone trouxe um bolo. Era tarde, o trabalho ainda não tinha acabado, um choro enorme estava alojado na minha garganta e ela trouxe um bolo. Um bolo lindo, macio. Nozes, damascos. Teve vinho da Thamires, pães e mais pães da Carolzinha. Livros da Krysse. Flores da Naty. Quadrinho do Clau. Vivas e gentilezas e inda nem respondi todo mundo. A Simone trouxe um bolo. Durante o dia, eu disse o nome que me faltava em todas as aulas, sabe, um monte de vezes, por motivos totalmente idiotas, como se o dono do nome não existisse, nas aulas, exemplos, Fulano does not live alone, Fulano eats pasta. May I help you, Fulano? Fulano is a doctor, a lawyer, a singer, a fool, a very cruel creature from the swamps of undeserved laments, the love of my soul. Hola, Fulano, ¿cómo van las cosas? A Simone trouxe um bolo. O bolo da Simone não fez desaparecer o peso no meu peito, mas me fez um tantinho mais doce, amarga que estava. Com bolo, sem bolo, isto não é, jamais será um adeus. Sou incapaz, covarde, pequena, mas é um marco, o último aviso da vida para comigo, o fim de uma era. Doer é coisa que acontece, sofrer é da vida, mas insistir da dor depois de tanto tempo, tantas declarações definitivas, tanto cansaço, é só tristeza. Nem amor em demasia, nem destemor, nem falta de juízo, só tristeza. Só tristeza. Tristeza. A Simone trouxe um bolo

Vem cá, meu bem

Repetir para Elaborar

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Apesar de o impressionismo ser meu período artístico favorito, meus pintores prediletos não são impressionistas. O que faz de um pintor nosso favorito?
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