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Pedra bruta: Uma grande novela interminável – a pedra bruta nossa de cada dia

por Andréa Pontes

Sua Vida me pertence, a primeira novela brasileira, com Vida Alves e Walter Foster

Bom, na nuvem de palavras do nosso cérebro, Trump anda em alta. Em pleno sábado, para deixar o pessoal de plantão nas redações de cabelos em pé, houve um ataque com um fuzil AR-15 em um comício de Donald Trump na Pensilvânia. De resultado, um bombeiro, de 50 anos, morreu, protegendo a família; e um plot twist na eleição norte-americana.

Os amigos me falam sobre ‘Pedaço de Mim’, a novela da Netflix. E o noticiário permite?  Até sábado, o ponto central da discussão era se Joe Biden conseguiria convencer os eleitores de que está são para comandar os EUA. A partir da noite do dia 13 de julho, os holofotes se voltaram a Donald Trump, o ‘herói’ dos republicanos, que segundos depois de sofrer um atentado, ergue o braço e grita ‘fight’ (luta). Imediatamente, já na convenção em Milwaukee, torna-se candidato oficial do partido. Trump, na verdade, é vítima (será?) do próprio discurso de armamento livre. Uma legislação de fazer inveja a qualquer traficante de drogas aqui no Brasil. Lá nos Estados Unidos, você compra uma AR-15 com mais facilidade do que compra uma lata de cerveja.

O peso disso é o avanço da extrema-direita. Na América do Sul, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Argentina, Javier Milei, ganham holofotes secundários. Não nos esqueçamos da Europa. Na França, a extrema-direita bateu na trave e isso fez com que o primeiro-ministro, Gabriel Attal, renunciasse. A polarização aumenta e impacta os processos políticos e econômicos.

Aqui no Brasil, o mercado insiste nas críticas para melhorar a política fiscal. E a Economia responde, com uma inflação controlada, abaixo da previsão de inflação global – 3,2%.  O PIB subiu 0,8% no último trimestre e indica superar o previsto. Vale lembrar que a tragédia no Rio Grande do Sul comprometeu e muito o Produto Interno Bruto, com toda a ajuda do Governo Federal e a quebra na produtividade – levará tempo até a economia gaúcha voltar a contribuir com a economia nacional. A nossa bolsa de valores, o Ibovespa, vem reduzindo as perdas. Foram 11 altas acumuladas registradas. Apesar da confusão política nos EUA, há um otimismo para que os juros por lá caiam. Por mais que o mercado bata o pé, há um esforço do Governo em reduzir gastos. Assim como os embates entre Governo e Banco Central estão mais equilibrados. Isso tudo aí reflete nos números.

Ainda poderíamos falar da Abin paralela. Ah, o Brasil não ia deixar a novela dos EUA ter audiência absoluta. Temos áudios com o ex-presidente Bolsonaro envolvido pessoalmente em defender o filho, Flávio Bolsonaro, utilizando indevidamente os caminhos públicos. Uma arapongagem de fazer corar o personagem Mário Fofoca, detetive trapalhão do mundo fictício.

Ainda teríamos que falar dos assassinos de Marielle Franco e os 40 anos de milícia no Rio de Janeiro; dos Jogos Olímpicos de Paris, que estão chegando, para acalmar nossos corações. Mas, precisamos falar que em 2024 ainda temos muitos casos de abuso a mulheres. O escabroso vem de um reality das plataformas de streaming, ‘Casamento às cegas’ (sim, temos isso em 2024). Ingrid Santa Rita declarou que foi estuprada pelo marido, Leandro Marçal. Sexo sem consentimento é estupro.

A novela é a realidade e vice-versa. Do escandaloso ao risível de nervoso, com personagens atrapalhados, maus, vítimas e justiceiros. Com pitadas de etarismo, o abuso a violência. 

Então, não finja espanto aí do seu sofá, porque você faz parte dessa loucura interminável. Pouco importa se você mal dá conta dos capítulos do seu dia a dia.

O jeito é aceitar e encarar essa maratona.

Paisagem

por Raquel Azevedo

Querida Carol, lendo suas últimas notícias me veio um aperto no peito por não saber se estou lendo nas entrelinhas o que sequer está sendo aventado. 

Por que estou pensando em entrelinhas? Viajei com minha filha por quatro dias, dois deles passados quase que inteiros numa daquelas estradas de três pistas do documentário América. Colinas verdejantes, árvores desconhecidas, despenhadeiros, a água escura do Ohio River, as pás metálicas das turbinas de vento. Nenhuma cidade com nome de santo. Os mesmos três ou quatro restaurantes de fast food em todas as paradas. Carros modernos e velozes ultrapassando modelos da década de 1990 e longos caminhões articulados que por alguma razão não soltam fumaça preta. Aquela bobagem em forma de veículo que parece ter sido desenhada por uma criança de quatro anos, fabricada pela marca do Elão. Faz menos sentido ainda ao vivo e em cor (de eletrodoméstico), acredita? Minha incapacidade de entender velocidades ou distâncias expressas em milhas e o tempo necessário para percorrê-las. 

Silêncio. A estática do rádio, que surpreendentemente ainda existe. Música no fone de ouvido para ela, podcast e audiolivro para mim. Pistas parcialmente fechadas com sinalização perfeita. Piadas internas que substituem as que fazia com minha família nas intermináveis viagens de Corcel II para nos encontrarmos com tios e primos. “Road Works in Seven Miles” “Ainda bem!” é a nossa “Emobrás”. Conversas triviais que viram conversas profundas, inclusive uma sobre como expressamos nossa vontade frente a um incômodo “não” e outra sobre como cada pessoa interpreta palavras, gestos e até ações de maneira diferente, dependendo de sua origem, história e visão de mundo. Ela me disse pela primeira vez, e logo pela segunda, que às vezes uso um tom condescendente quando me dirijo às pessoas em inglês. Olha que informação importante, querida. Meu reflexo, condicionado por tudo o que vivi, sofri e talvez aprendi, é responder na defensiva, mas (aleluia mindfulness!) dessa vez consegui reagir com a dita curiosidade de principiante e tentei ir mais fundo. Queria compreender a percepção dela e se acha que devo fazer de outra maneira. Buscamos adjetivos e experimentamos entonações, e afinal ficou combinado usar um código (em português, claro) para quando acontecer novamente. Prometi ficar atenta. 

Na volta, a sorte de um almoço legitimamente brasileiro (feijoada, arroz branquinho, torresmo, couve, laranja, coxinha e cerveja gelada) com uma amiga querida e a mãe dela. Comida deliciosa, papo melhor ainda, mil assuntos diferentes e acabamos falando sobre discurso, vocabulário, contexto e o controle que tentamos exercer sobre a percepção que o outro tem de nós. A diferença entre condicionamento cultural, traço de personalidade e herança familiar. O que vale muito levar adiante e o que não queremos de jeito nenhum, deusmelivreeguarde. Cartas, ratos, um homem velho ou talvez sábio, um pássaro azul. Na saída, bolo e mais presentes do que conseguimos carregar. 

Seria tão mais simples se conseguíssemos expressar exatamente o que vai na cabeça ou coração. Mas, então, quem seríamos sem as entrelinhas? Fique bem, minha querida.

Precisamos falar sobre nós

por Andréa Pontes

Mário de Andrade e São Paulo, que, assim como todos nós, é um eterno desvario

A gente não se dá conta da quantidade de coisas que fazemos. Todos os dias. Nem sempre tudo igual. O noticiário é a prova disso — vamos de Abin paralela à traição de jogador de série B com a Iza (a Iza!!!) em minutos. Faz a gente até se desacostumar no momento da pausa.

Por vezes, o tempo vai passando, os minutos, os segundos. E mais um dia se vai. Muitas (muitas, mesmo) vezes é porque não queremos olhar os detalhes. E até a nossa avó já sabia que o diabo mora justamente neles.

O tempo e a vida. A vida e o tempo. O que fazemos com os dois é um mistério. E a grande ligação é o autoconhecimento. Um palavrão, convenhamos, meio banalizado. Mas a gente se conhecer é tão, tão básico, essencial e deveria ser o óbvio. Afinal, estamos conosco (sim, a construção poderia ser melhor) 24 horas por dia. A gente mesmo. No final do dia, é isso.

Parando por reflexão, necessidade ou por não ter outro jeito, começamos a falar sobre isso. Sobre nós mesmos. Essa porta abre para mexer no que não serve mais. A aprender que não temos que… nada. O “tem que” é pesado demais.

Engraçado que os afazeres do dia a dia passam num piscar de olhos. Mas, já são quase cinco da tarde e o texto não está pronto! Eu não fiz nada do que estava programado hoje, só apaguei incêndios! Agora, vai falar de trabalhar algo interno? Leva tempo.

Resolve? Nem sempre. Por isso, dá vontade de continuar correndo por aí. Quando paramos, por cansaço ou pelas circunstâncias alheias à nossa vontade, a gente volta.

Assim é a vida.

Corrida e lenta. E, sim, o ócio também é ação.

Pedra bruta: Perder, diminuir, não importa – o verbo que você precisa ter em mente é lutar

por Andréa Pontes

A imagem é uma pintura, encontrada em escombros de uma casa em Pompeia (Itália).

Adoro os verbos das manchetes. O IPCA de junho PERDEU força. A inflação DIMINUIU – seria mais apropriado. Ficou em 0,21 por cento, abaixo da inflação de maio. Mas, nossos bolsos são alheios a essas análises. O que eles e nós queremos é que as contas caibam no orçamento. E, para isso, senhoras e senhores, é preciso equilíbrio. Beba menos café e coma mais alface, é o que diz a economia para você.

Há os que já desistiram dessa luta diária. Vencidos pela economia, pela vida, a população de rua está invisível, ironicamente a olhos vistos nas calçadas das cidades. Com as temperaturas em baixa, molhados da chuva, nem sempre agasalhados como se deve. Prefeituras tentam oferecer paliativos, mas a fome está aí, o desemprego está aí, a falta de saúde mental está aí. Algo que precisa ser reformulado, urgentemente. Paliativos também em escolas públicas de algumas cidades, oferecendo almoço durante as férias para famílias. Algo não está muito certo.

Quem tem mais pressa é o mercado. Reforma Tributária em pauta, taxa de blusinhas – você aí, que gostava de uma blusinha a 20 reais, aceitava mais uns reais de ICMS, agora pode ver sua blusinha ir para 50 mangos. Está errado ter taxa? Não. O Governo vai resolver o problema arrecadando mais? Ainda não, o buraco é mais embaixo. No meio disso, estamos nós. Mais uma para o caderninho: além do café, sai a quantidade excessiva de blusinhas.

A política econômica vai além de substituições. É preciso um exercício de abalar as estruturas. As históricas. Aquelas, que impregnam o DNA nosso de cada dia. As burocracias, o ‘toma lá, dá cá’, os favores, o poder, o protecionismo dos setores. Quebrar tudo isso para algo coletivo não é fácil. Os pessimistas vão dizer que é impossível. Mas, uma coisa temos que concordar – para algo novo vir, precisa destruir outro algo. Quem sabe, gerações menos apegadas a ter, mais conscientes ambientalmente falando, a inclusão social pode vingar.

Vai levar tempo. Nessa cultura da inteligência artificial, ainda somos selvagens. Enquanto uma geladeira já calcula o que falta e o que precisa ser comprado (será que ela vem com monitoramento de IPCA junto?), ainda temos adolescentes pretos sendo revistados pela cor. Ainda temos joias sendo vendidas indevidamente. Enquanto nos recompomos do incêndio da boate Kiss, temos um dependente químico apanhando em uma clínica de reabilitação. E ainda discutimos se policiais precisam ter câmeras na farda ou não.

Ainda há muito por vir. Não sabemos o que tem na cabeça do roteirista. Enquanto isso, você vai tirando a batata inglesa da lista, vai adicionando mais água nesse leite longa vida, para render mais. Para dar um ânimo, talvez um pedaço na promoção pelo Dia da Pizza (não, eu não ganho um centavo de comissão, acredite).

A luta continua.

Vem cá, meu bem

Repetir para Elaborar

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Piu Piu

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Águas Passadas