Horóscopo Drops de Carnaval

Touro – Não importa se você passa o dia todo no trabalho e bebe água lá. O valor do galão d’água da república em que você mora com três amigos deve ser dividido entre to-dos. E “ser limpinho” não é motivo para querer pagar valor menor na divisão da compra dos produtos de limpeza da casa. Arrume outra forma de economizar para o carnaval!

Libra – Entendemos que você precisava de um tempo para se decidir se queria ou não namorar o Zé. Agora que você decidiu que quer, precisamos te contar: o Zé casou no carnaval de 2009 depois de esperar três anos pela sua resposta.

Escorpião, veja bem. “Testador de Lua de Mel” pode até ser fantasia, mas acho que não de carnaval.

Considerando que um pisciano, em condições normais, é feito de trouxa dez vezes por dia, se ele começar a beber no sábado de carnaval e parar só na quarta-feira de cinzas, quantas vezes ele pode ser feito de trouxa no período?

Leão, vem cá. Na casa da Talita você não pode ir nesse carnaval. A família dela ainda não se recuperou da última vez que você esteve lá, no aniversário da avozinha. A coitada da velhinha ainda chora quando lembra de você correndo com ela no colo em roda da piscina berrando: “Corre, vó” quando o pessoal chamou pra apagar a velinha.

Gêmeos, tá certo que os bombeiros da cidade são lindos. Mas você não acha que tascar seu carro dentro da vala, em frente à sua casa, telefonar pra eles em pleno sábado de carnaval, recebê-los vestida de Vedete Esquecida (esqueci a saia, ui!), com a mesa posta para quatro, o Netflix no ponto e o ar condicionado ligado não foi bandeira demais, não?

Sagitário, sagitário! SAGITÁRIO! Uia, desculpa. Pode voltar a dormir. Quando acabar o carnaval eu te aviso.

Câncer, sei não. Pode ser que você tenha problemas com esse bauro embrulhado em jornal. Dificilmente os policiais vão acreditar que faz parte da sua fantasia “baseado em fatos reais”.

Áries, nem disfarça que não precisa mais. Tua pose de phyno não resiste a dois acordes de Evidências, olha lá. Não falha. Todo carnaval é a mesma coisa.

Aquário, o pessoal tá perguntando quando é que o teu “fim de ano” acaba, pois você chegou na casa deles, sem avisar, em 10 de dezembro pra passar o “fim de ano”, o carnaval chegou e ninguém vê providências.

Virgem, na casa que a gente alugou na praia para o carnaval tem oitenta e duas pessoas e um só banheiro. É banhar e sair molhado, na toalha. Levar pro banho as roupas, cremes, pinça, cortador de unha e três playlist de música encarreada não é jogo. O Bob ter feito xixi no teu sapato saiu barato, vai. Admite.

Capricórnio, além de capricórnio, tu ainda é paulista. A vida é mesmo muito triste. Como é que a gente sabe? QUEM MAIS estaria sentado no muro duma casa, vendo a multidão frevando em Olinda para, a certa altura, virar pra colega de muro (e também irmã) e: “Bi, são três da tarde. Esse pessoal não almoça?”.

Joker

Dou um puta valor pra quem faz essas coisas, sabe? Ninguém mais faz.

Há uns anos, alguém me disse “não sei pra que colocar dedicatória/agradecimento nos seus livros, Fal, todo mundo acha uma chatice e ninguém se importa”. Bom, a moça não está errada, não.

Mas eu, eu dou valor presse tipo de coisa.

(Pode ser só blablablá pra  angariar simpatia? Claro que sim. Mas eu não acho, não.)

é sempre o mesmo ano

A gatinha miminha (o nome dela é Pati, mas como ela é chorona, miminha), que fará um ano em maio, é completamente apaixonada por Bolero, que está com vinte anos, só tem um dente na boca, não tem mais forças pra miar ou pra correr e só come comida de saquinho. Ela anda atrás, lambe a cara dele, obriga ele a deitar junto do encosto do sofá e deita na frente dele pra protegê-lo dos outros gatos. Na hora de comer, ela empurra o Bobo pra cozinha e fica sentada ao lado enquanto ele come, sem relar na comidinha. De noite, ela espera o Bobo ir pra caminha (ele dorme no banco do jipe do meu irmão que fica aqui no nosso micro-mini-quintal desde que caiu uma árvore no carro). Assim que Bolero se acomoda, ela sobre pela frente do jipe e vai dormir no teto do carro, porque gosta da brisa.

Velhas sem rumo falam de seus gatos, dores e máquinas de lavar pratos – tão idosas quanto elas, sem peça de reposição.

Salve-se.

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Eu queria tanto ser o Bobigóren e acabou que virei a mulher-pequinês.

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Sonhei com você três noites seguidas. Eu ia começar a falar de você como um “ele”, mas é meio ridículo. Se meu inconsciente pudesse carregar armas, ele me esfaquearia nas costas, tenho certeza.

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Há um livro novo em algum lugar (e isso é o BDD), mas não sei como chegar nele a não ser assim, por nesgas e beiradas. Há um livro em algum lugar, mas não consigo juntar as partes e não receita e isso é um negócio muito horrível.

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Chegar em casa e colocar milhares de roupas na máquina. Tomar advil como quem come balinhas. Gritar com os gatos imundos no sofá. É sempre o mesmo ano.

Leite com caramelo e baunilha

At Middleton é bonitinho, mas podia ter acabado uns quarenta e cinco minutos antes. É óbvio que eu chorei. Não tenho a menor ilusão de que alguém um dia vai me olhar de novo como o Garcia olha para a Farmiga, odiei e adorei o final e lamento profundamente que a droga mais pesada que tenho em casa seja vodca.

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Fui casada oito anos, sou viúva há dez e meio e estou de coração partido há mais ou menos quatro. Tentei resolver com um gesto brusco, mas a quem estou enganando, não tenho caráter algum. Ele fala, eu respondo, depois choro baixinho, depois confiro mil e quinhentas vezes pra ver se tem recado novo, daí ele me ignora mais dois ou três meses, lava, enxágua, torce, pendura, repete. Se eu tivesse um amigo ele me daria uma sacudidela, mas isso não tenho mais.

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Um daqueles caras que derruba árvores na Sibéria e mora numa cabana, ou o sujeito que era o segurança do último rinoceronte negro do mundo, ou um monge tibetano que vive em contemplação no meio da neve e do silêncio, ou um pirata que, afundada sua nau, passa seus últimos dias à deriva nos mares do sul a bordo dum cotoquinho de madeira incendiada talvez sejam mais sozinhos do que eu, mas duvido. No campeonato de solidão, tou no top five.

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Sonhei com ele de 31.12 pra 01.01 e senti cada pedaço do sonho e ouvi cada palavra do sonho e acordei às quatro da manhã, escorreguei ligeira para fora da cama e agora, sinceramente, não acho que devo voltar para lá. “O Uruguai tem o melhor doce de leite do mundo” uma voz anunciava no sistema de som do meu sonho. Deitado com a boca no meu cabelo, ele dizia de olhos fechados “Não, não é, o argentino é melhor”.

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Segundo o Bourdain, comida de hotel é melhor do que a sua porque eles usam quilos e quilos de manteiga em tudo. Bourdain está sempre certo, claro.

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Leite com baunilha. Não ajuda a dormir melhor e meus sonhos provam isso, mas deixa você mais feliz e, acredita uma pessoa que conheço, com gênio mais gentil. Preciso das duas coisas.