“O jeito é eu deixar de te ler por um tempo porque OLHA, não é possível isso. São outros, devem ser outros, espero que sejam outros, os itens da minha lista, mas ela existe. Eu nunca tinha feito uma. Nem mesmo naqueles relacionamentos eternos. Eu não era pessoa que faz esse tipo de lista. Achava eu. Agora choro lendo seu post. Eu lavo com as lágrimas o desejo dessa vida depois do travessão. Mas a mancha é teimosa.

(eu não sei se pior ou melhor, eu vi. sei como foi. sei como poderia ser. sei o imenso desperdício de não ser)

Luciana Nepomuceno, nos comentários do Drops (e ela comenta em todos os posts <3 )

PS: não espero, não, que sejam diferentes os itens de nossa lista e sim que sua lista, Luciana, seja para outra, porque se estivermos fazendo lista para a mesma pessoa, tenho zero chances. (não que eu tenha qualquer chance de qualquer maneira)

Tenho uma lista enorme, e um tanto patética, das coisas que gostaria de ter assistido com você, de músicas que ouviria com você. As canções, taco aqui e finjo que você vai ouvi-las em algum momento e que, ah, será quase como se ouvíssemos juntos. Filmes, animações, séries e documentários são longos, duram demais, não são o mesmo que canções. Les triplettes de Belleville é apenas uma das peças que eu adoraria que assistíssemos juntos. numa outra vida – aquela em que ligo para você quando alguma coisa incrível acontece e você me atende e fala comigo sorrido por um tempão. Gostaria de me sentar no chão, cabeça apoiada no sofá e ver essa peça incrível e tocante com você. Nunca assistimos coisa alguma juntos, se você parar para pensar. Jamais assistiremos. Vamos, às vezes, quando eu ceder e, merda, responder alguma coisa, comentar o “ah, eu vi” “ah, que legal”. Mas assistir juntos? Nunca. Então sigo com a minha lista – retiro o “um tanto”, ela é muito patética – jamais ticada. Ela aumenta e diminui e se desdobra e inclui subitens dentro de subitens ad infinitum. Eu a assisto só, a minha lista de coisas para ver com você, como quase tudo o que faço, pulando de item em item, adorando quase tudo, desejando ser capaz de escrever assim e, quando tenho muita sorte, sem sua cara barbuda atrapalhando o entendimento dos diálogos.

Ven, que está frío fuera y hace tanto calor aquí

Quando meu marido morreu, precisei parar de dar aulas. Sempre fui professora particular porque a sala cheia de pessoas em base cotidiana me é uma ideia insuportável. Posso encarar palestras: dia e hora marcados, vou lá, falo, vou embora. Tudo bem. Mas sala cheia todo dia, para sempre? Não.
Eu tinha muitos alunos. Sou excelente no mano a mano, sei ensinar, sei entreter, sei contar as historinhas certas, sei me comportar na casa alheia. Mas quando perdi Alexandre, me tornei completamente incapaz de olhar nos olhos de alguém, de falar com qualquer pessoa por mais de dez segundos seguidos.
Passei todos os meus alunos para colegas (menos dois, anjos que foram meus primeiros alunos e que estão comigo até hoje, quase trinta anos depois) e me tornei tradutora full time.
Em 2017, achei que era hora de voltar.
Ofereci aulas de graça para três amigos, caso quisessem ser minhas cobaias. Dei aula para quem não me esnobou – ainda dou.
Comprei livros. Pedi a duas amigas professoras que me “treinassem”. Estudei, ainda estudo.
Quando voltei a dar aulas em 2018, eu estava pronta. Treinada, estudada, preparada. Claro que ainda estudo um monte e ainda aprendo novos jeitos de fazer velhas cousas. Mas, caramba, como eu me preparei pra fazer um negócio que já fazia desde 1990.
Todo esse chororô é só pra resmungar no meu blog, o único lugar do planeta onde posso resmungar, que, deus do céu, nada me irrita mais do que professor ruim, mal preparado, preguiçoso. E gente que leva aula, especialmente a modalidade online, como se fosse “um bico”, “um hobby”. “Ah, não se tem o que fazer, vamos dar umas aulinhas”.
Que gente nojenta.
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Você está coberto de razão em não me querer: não bastasse todo o resto, meus homens acabam mortos.
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Bordertown, repito, é sensacional. Eu talvez desse uma surra com rabo de tatu na filha e certamente mudaria a abertura e a música-tema, mas os crimes e a solução deles são fenomenais.
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Tem alguma coisa profundamente familiar e calmante no som do giz correndo pela lousa.
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A Maliu me pergunta como vai ser, se vai melhorar, se vai ficar tudo bem e eu digo que sim, claro, tudo vai ficar bem, tudo vai melhorar. Acho que tá todo mundo dizendo isso pra quem ama, né, olha, vai ficar tudo bem. O que mais vamos dizer uns para os outros a essa altura deste maldito campeonato?
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Uma das alegrias de ficar velho, preste bem atenção, é a seguinte: andar pela casa numa calça xadrez de pijama, com uma caneca de chá quente na mão, arrastando as chinelinhas de bolinhas pelo chão. Você é uma senhora idosa, você vai tomar seu chazinho, são seis e quatro da manhã e suas chinelas pelo chão fazem sssshhhhuuu sssssshhhhuuuu sssssssshhhhuuu conforme você chapinha pela casa, toda feliz porque é uma senhora idosa, vai tomar seu chazinho, são seis e quatro da manhã e suas chinelas pelo chão fazem sssshhhhuuu sssssshhhhuuuu sssssssshhhhuuu.

Vem cá, meu bem

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