“A mídia hoje é considerada e estudada como uma das agências informais do sistema de justiça, porque condena, absolve, orienta a investigação e até investiga. Então a responsabilidade da mídia é muito grande.”


Ela Wiecko, procuradora e professora da Universidade de Brasília (UNB).

Fomos educadas pelo e para o machismo. Dos textos constantes dos livros didáticos que nos formaram, passando por leis que por décadas nos ignoraram, chegamos ao ponto do desamparo por um sistema de justiça formado por juízes misóginos e cruéis, em sua maioria.

Esse poder se apoia em uma estrutura machista construída para que ele prospere. A imprensa é parte dessa estrutura.

Nenhum relato é neutro e todo discurso é situado e regido pela hierarquia. O alcance deste discurso acontece na proporção e medida da autoridade de quem o emite e, na busca por esta autoridade, a imprensa reproduz o pensamento machista, que ainda é dominante.

Toda desconstrução passa primeiro pela identificação do que se pretende desconstruir. A nós parece lógico que identificar o uso da linguagem como instrumento não só de comunicação, mas como ferramenta de dominação, é um passo importante.

As jornalistas Niara de Oliveira e Vanessa Rodrigues estão trabalhando neste projeto: analisar o papel da imprensa na narrativa de feminicídios e sua contribuição para a manutenção da misoginia, em livro a ser publicado em 2021.

A Drops Editora tem muito orgulho em fazer parte desta jornada.

Somos quatro mulheres empenhadas não só em mudar o mundo, mas também em despertar nas pessoas a consciência a respeito das forças sob as quais os relatos sobre o mundo acontecem.

As editoras.

Amanhã, no tuinto, a equipe Drops estará presente na posse de Djou Bíndem. Análises acuradas, pensatas profundas, reflexões de altíssimo gabarito. Ou seja, Suzi e eu estaremos bêbadas o dia todo. Abra sua garrafa de vinho e venha conosco.

A partir das 14:00 horas!

Contas: @DropsdaFal e @castelani_suzi

Volto para você como quem volta para um velho hábito malvado. Volto, volto. Volto a falar com você como quem pisa em ovos, mas também em flocos de algodão. Volto a falar com você como quem volta aos soquinhos, aos soluços, aos sorrisos. Volto a falar com você como quem volta quase sem querer e a toda velocidade, com cuidado e esbarrando nas coisas, derrubando pratos, tropeçando nas flores do tapete, desmaiando de calor, fazendo um barulhão e acordando o cãozinho. Volto para você baixando as músicas que adoro, sem conjugar o verbo “nosso”, sem pensar no que encontrarei. Volto a falar com você, com você, com você, bebendo café pelando de quente, ligando aí sem apertar o botão de “complete a ligação, por favor”, fazendo risotos lindos que não dividimos, lavando a louça quando é tarde da noite e a Marli chora de dor nas costas, alimentando o gatinho doente e pedindo baixinho que ele fique bem, fique bem. Volto à ideia que tenho de você, ao nada, ora, aos muitos nadas, celebrando a vitória do candidato com todo mundo, menos com você, medindo a temperatura da água com a ponta do pé e me tacando na piscina sem tirar a viseira. Volto a falar com você, e apenas com você, enquanto coleciono coelhinhos e rinocerontes e passarinhos e melhoro a receita da caponata, enquanto sinto frio aos trinta e quatro graus (é sério, estou de meias), enquanto não faço planos e, ainda assim, traço rotas minuciosas para lugar absolutamente nenhum. Volto, volto, volto. Volto a falar com você todos os dias, a cada momento, enquanto planejo a dominação mundial e mantenho Antão e Peixoto abastecidos de balas de menta e biscoitos, enquanto compro flores e pastéis toda semana, enquanto atraso o envio do texto, enquanto este país me desespera um tanto e me cansa mais ainda. Volto a falar com você e o Drexler canta e o seriado dos zumbinhos acaba outra temporada e as folhas do caderninho se soltam e um novo capítulo chega e eu, olha só, eu realmente não deveria.

Domingo-caderninho

Semana, dor, programação, fim, vermelho, todo um novo livro para escrever, flores e um macaco, no último caderninho que você me deu.

Vem cá, meu bem

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