Um sujeito falando em alemão

Coloca a mão na minha bunda, por favor.

Vocês ali, quase dormindo, quase com tesão, quase assistindo ao filme, envoltos naquela bruma entorpecida de quem está de barriga cheia, tonto de vinho, quentinho. Ele coloca a mão na curva da sua bunda, você se estica para alcançar a taça, um peito escapole para fora da colcha, um cão late lá no fim da rua, o fio da meada do filme perdido há muito, vocês querem ir para a cama, mas pelo amor de Deus, quantos passos até lá, uns vinte? Sem condições. Parece que tem um sujeito falando em alemão no filme, vamos prestar atenção que ainda dá pra recuperar, ele dá meio que um ronco quando ri, você bate o dente na taça e dói um pouco, sua nuca cabe direitinho no peito dele, a sala parece um velho navio flutuando a esmo num mar gentil e tem uma mão morna sobre a sua bunda.

bom dia, Iugoslávia

Nada disso era você

Foi há tanto tempo. Você não existia. Meu mundo seguia em frente, porque você estava em algum lugar, mas em lugar nenhum. Seu nome não era. O sol, as casinhas, os gatos que eu tinha na época, meus planos, meus passos: nada disso era você.

#diarinho

Tecidos para uma costureira que sequer foi encontrada tiveram seu destino debatido hoje. As aulas correram bem . Zero trabalho no livro. Zero trabalho na revisão. Não lavei banheiro. Não arrumei o quarto. Não dobrei as roupas. Não troquei a roupa de máquina. Ou seja: não, não, não. Jantei frango. Adoro frango.

Eu tive um sonho

Eu tive um sonho. Lindo. Fui dormir às 19h30 e acordei à meia-noite, encantada. Sentei, escrevi meu sonho. Foi lindo. Quase nunca tenho pesadelos, sonhos horríveis, de acordar chorando. Mas são raros também sonhos realmente felizes. Meus sonhos, no mais das vezes, são. Sonho, acordo, a vida segue.

Mas neste domingo, tive um sonho lindo. Redondinho. Perfeito. Final feliz. Olha. Meu inconsciente, eu pensei, quer me dar um abracinho, cheirar meu cabelo, beijar minhas pálpebras, soprar meu rosto, me dizer que vai tudo ficar bem, todas essas cousas que, quem nos ama, não tarda em fazer. Obrigada, inconsciente. Você foi uma fofura.

Sonho anotado, xixi feito, caminha do cãozinho afofada, voltei para a cama e antes de cair na segunda parte do meu sono, lembrei duma cousa que minha mãe me ensinou há tantos anos e que eu vivo para esquecer: rejeição prende, amor liberta. É tão simples, tão fato, tão óbvio. Mas eu escolho não saber.

Meus olhos pesaram e, quase já não aqui, eu me dei conta de que a fofura do meu cerebrinho reptiliano pode, muito bem, ser contestada. Ele quer manter você aqui, mesmo nos horários em que escolho não fazer isso.

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~ I get knocked down, but I get up again ~

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