Livro do Grupo do Drops da Fal – Pré-venda aberta!

Nós nos adoramos, ainda que uns deem nos nervos dos outros um monte de vezes. Rimos juntos, trocamos receitas, histórias felizes. Lavamos uma roupinha suja, ninguém é de ferro. Damos aquele chilique básico do menino que anseia pelo copo de requeijão perante a mãe dura na queda, com todo o supermercado de testemunha – no nosso caso, a interneta – e saímos batendo a porta, jurando que nunca mais e falando mal dos ex-amigos – EX, tá sabendo? – para quem quiser ouvir. Dividimos truques, somos generosos. Escondemos o pulo do gato, não prestamos. Dividimos a poesia e os lanches. Nós nos ofendemos facinho. Nós somos umas fortalezas. Oferecemos nossas músicas d’alma e cutucamos os vizinhos: Ouçam, ouçam, ouçam! Escolhemos minuciosamente os segredos que desejamos revelar e, hélas, deixamos escapar um ou outro que não estava no planejamento. Combinamos programas na vida civil. Às vezes, ante muito amor e acolhimento e tolerância, escolhemos dizer a palavra mais cruel – baseada ou não em fatos reais – porque o que esperamos mesmo é uma boa briga, uma desculpa para ir embora – às vezes, a intimidade dói demais. Resmungamos, Não é hora de mudar essas regras, não?, criaturinhas revoltadas que somos. Mostramos filhos, cães, plantinhas, tatuagens, bolos lindos e bolos tortos, a franja nova e a capa do livro antigo – porque desejamos que participem de nossa vida. Abrimos nossa alma nas altas da madrugada, porque tem sempre um amigo que vai nos acolher. Filmes? Fazemos listas e listas de filmes, Esse aqui vocês não podem perder!, obsessivamente, quase um grupo de pequenos rubens ewalds filhos. Contamos a história do cãozinho que comeu, COMEU, a porta da geladeira, e nossos amigos comentam que estão rindo, mas com respeito. Somos um grupo. Brigamos, fazemos as pazes, desistimos e voltamos (quando nos deixam voltar). Nós nos apaixonamos uns pelos outros e nos desapaixonamos, é da vida. Somos umas pestes, uns amores de criaturas, uns sujeitos incríveis, universos e universos detrás de cada nome, de cada biografia e gato de nome engraçado. Escrevemos sobre nossos mundos e cores e temores e graças e, ao fazermos isso, eternizamos uns aos outros, nosso olhar, nossa voz. Somos um grupo. Estamos aqui uns para os outros. Quase sempre. Quase o tempo todo. Sempre. O tempo todo.

E é com grande alegria que lançamos a pré-venda do Livro do Grupo do Drops da Fal – um livro escrito por alguns dos membros mais queridos do grupo.
A Drops Editora tem imenso orgulho de informar que a pré-venda do Livro está aberta!
Valor 32,00 + 10,00 de frete para todo Brasil.
Pagamento por paypal
Escreva para livrodogrupo@gmail.com

Um “doeu para caráleo”, uma médica chegada à sinceridade, um Coltrane da Flavia Penido, uma Maliu esotérica numa república morta, um truque para fazer Trapped durar mais, uma coisa feliz que desconheço, um quase-substituto para o Bulgari perdido, desamar – verbo impraticável, uma camisa xadrez, um chá mate morno e com leite

Achei um “menta-alecrim” bão de substituir o Bulgari de limão que não fabricam mais. Não que eu fosse ter grana prum Bulgari a essa altura da minha assustadora vida financeira, mas né.

Enfim, ganhei um vidro da minha educadíssima anfitriã e agradeci porque também sou algo educada, mas sem esperança em meu coração calejado pela dor e saudade de meu amado Bulgari Vert. Porém, contudo, todavia, eis que com garbo e elegância ranco a tampa e, voilà, é um cítrico muitíssimo digno. Eita Granado que não nos falha.

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Aquele amigo que vai embora sem se despedir. Não somos (ou, pelo menos, eu não sou, malandragem) dignos da despedida, da atenção, do gesto, da delicadeza do “Meu bem, chegou a hora, adeus”.

“Já bebi, já comi, quiéquieu tou fazendo aqui?”, nos ensinava a declamar o nosso bárbaro pai ante o olhar horrorizado de nossa mãe, a grega.

Num determinado momento da noite, você olha em volta e quedê o amigo, o motivo – não raras vezes – de você estar ali naquela balbúrdia (olááááá, desgoverno brasileiro), cercada de gente que você gosta-mais-ou-menos (bem feito), de rímel, cinta, sutião MASP e, Deus que me perdoe, corretivo.

Sim, ele foi embora e inda te restam horas de socialização. Graçadeus que egípcios e mesopotâmicos e os caras espertos que vieram antes deles inventaram o álcool.

Me lembrei disso porque esse sábado tive a oportunidade de ver uma moça – que nao é minha amiga, só conhecida de olás – passar por isso. Dessa vez, eu era a balbúrdia, o povaréu, as gentes de quem ela não gosta, o pano de fundo que justificou que ela enfrentasse spandex, salto e sombra com glitter para se encontrar – com o coração aos pulos – com um lamentável e emasculado primata. Me vi de fora da cena e doeu para caráleo, torcida brasileira. Ele chegou, foi simpático com ela por bem uns douuuze segundos, se afastou, circulou por umas cinco rodinhas de parvos e zás, foi-se, desaparecido no éter. E eu, na encolha, covardemente testemunhei o e-x-a-t-o momento em que ela se deu conta de que ele tinha ido embora sem se despedir. Protagonizei a mesma patetice umas duas ou três vezes em bares d’outrora, quero acreditar que para nunca mais. Se ela reclamar com ele amanhã (cabe aqui um imenso “se”, além da nossa proverbial covardia, realmente cremos não ter esse direito), ele vai dizer que a. foi distração b. não queria incomodá-la, ela parecia tão feliz com os outros amigos c. ele teve uma semana infernal, blablablá, estilo “filha, você teve sorte de eu ter aparecido”.

Não confirmo e não nego que umas lagriminhas me assombraram quando vi a cena. Eu devia ter sido uma pessoa melhor, ido até ela e dito alguma coisa do tipo “Querida, é um covarde, parta para outra, ou, se você estiver na mesma situação que eu, para nenhuma”, mas já contei que sou uma covarde. Catei minha linda (linda, linda) bolsa, acenei pro meu amigo carona, um gesto sutil e doce e meigo e discreto que quer dizer mais ou menos “Vamos embora daqui, caralho” e, indo até ela, passei a mão em suas costas e disse: “Minha querida, preciso voltar para São Paulo, mas não podia ir sem me despedir” – porque posso não ser boa, mas não fui criada por lobos.

Identificação, sua danadinha.

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A Flavia Penido ensinou a fazer download do Coltrane e agora preciso urgentemente que Leandro&Leonardo arrume meu celular preu entupir minha Barbie Fada com o som do velho. Não quero mais ouvir tracousa.

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Alexandre adorava Djavan. Como é que pode, né gente? Um homem culto daqueles? Poeta maravilhoso, ouvido absoluto, cheio de delicadezas. E adorava Djavan, meu Deus do céu. De quando em vez, a Verô e eu paramos para nos lembrar disso, para nos abraçar e rir da cara dele. Djavan, puta que pariu.

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O frio voltou. Sequer tenho palavras para agradecer pelo momento. Estou usando duas meias em cada pé, calça de lã e camisa de lenhador. Camisa xadrez, em mulheres da minha feiura, costuma ser um atentado estético, mas no inverno, podemos. No inverno e na casa vazia, evidentemente.

Bebo chá mate morno com leite, vestida como uma mendiga e feliz como uma… o que é feliz, ainda, neste mundo horrendo? Bem, seja lá o que for, neste frio sou feliz como essa coisa feliz que desconheço.

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A república acabou. Minha mãe me perguntou quando cheguei se podemos chamar de ditadura ou se inda tem algum protocolo a ser seguido antes da liberação do termo. Ela enfrentou uma. Foi espancada e quase morreu.

Maliu reconhece cada sinal e tem cantado antecipadamente cada passo dessa gente escrota com semanas de antecedência. Chegada fosse a uma picaretagem, podia abrir um express do “Mãe Maliu: presente, passado e futuro” e ganhar uma grana com seus poderes premonitórios.

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A casa tem dado de dez a zero em mim e não é de hoje. Impraticável chamar gente aqui pura e simplesmente porque não dou conta. De gente, da casa, de mim. Aprender a desamar aos cinquenta, senhores, é coisa que não recomendo. Sofremos mais do que adolescentes e não temos ninguém para preparar nosso jantar.

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Tenho uma médica daquelas chegadas à sinceridade. Ela me aconselhou a fazer planos de oito meses no máximo. E eu adoro gente assim, que chega e “Pá!”. Ao menos quando dentro dum consultório.

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Curto a segunda temporada de Trapped com moderação que é para fazer durar. No intervalo vi Case, excelente e que, ora, tinha escapado do meu radar.

Produções

O Drops é uma usina de ideias.
Uma produção frenética de Fal Azevedo e colaboradores escolhidos a dedo, numa curadoria que atende aos princípios de qualidade e afeto, pois o Drops não acredita em um sem o outro.
Além das produções que vocês conhecem – Drops em Revista, Maria del Blog e No Princípio Era o Verbo – o Drops tem várias projetos em andamento que prometem abalar não só Bangu como todo o império do bem e do mal.
Tem coisa no prelo e é coisa!
Aguardem!

Domingo-caderninho 1
Keaton, turquesa – o mais belo dos nomes do azul, Guernica, Kusama, o foco que não há, a loba, as muitas e muitas coisas que não me importam, aquarela, café, café, e mais café, sombrinhas, um lugar que reconheço, flores que se parecem com bucetas, uma escadaria, as passagens do metrô, estruturas de metal, Ipanema, Arpoador e Leblon (lugares cujo nome reconheço, mas não sei bem como chegar lá), os vários problemas em envelhecer, Barata Ribeiro. No título do projeto de que não tomo parte, as intenções são conjugadas no futuro do pretérito composto do indicativo.

A newsletter do Drops está no ar. Para assinar: https://tinyletter.com/DropsdaFal
(em Apart-Hotel Do Conde Drácula)
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