Manual de redação e estilo para mulheres cujas palavras estão exaustas

Substantivos podem ser comuns, próprios, concretos, abstratos. Seu nome em cada opção.
Perdemos as mesmas batalhas, nos mesmos parágrafos, as mesmas estruturas frasais. Perdemos e perdemos e perdemos e respiramos fundo e aplicamos unguento nas feridas e, vanzolisticamente, batemos o pó das vestes e pulamos, como o tio Patinhas, de volta à confusão.

#livroemandamentoDropsEditora

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Diário de um mundo que acabou: O fim do mundo que nos detesta nem será tão grave evento

Entender-se como membro de zero grupos é graça que se alcança por meio da psicanálise.

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A conversa era sobre novela, assunto sobre o qual nunca posso opinar, porque nunca vi novela. Isso é sempre complicado, dizer que nunca viu novela a transforma imediatamente num ser humano odioso, reacionário que não ama o povo, suas manifestações culturais, que se sente superior, melhor do que os outros, elitista, babaca. Meu Deus. Enfim, todo mundo, todo mundo mesmo já tinha dado a opinião definitiva sobre novelas e daí, e daí, e daí, dei uma opinião bem babaca e elitista sobre novelas. Eu me sinto péssima até hoje quando penso nisso. Em minha defesa, eu era hóspede e MX foi convidada à minha revelia e aquilo me deixou absurdamente nervosa e irritada e infeliz. Muito infeliz. Espero nunca, nunca mais ter de me juntar àquele grupo de novo. Eles foram embora, eu me recolhi ao quarto emprestado e desejei a morte umas mil vezes. A minha, a dos outros. Detesto novelas.

Lembrei-me desta lamentável ocasião porque um site me pediu um texto sobre amores, roubadas e outras tristezas. Declinei do convite.

Eu poderia não ter ido. Poderia ter ligado para meus anfitriões e balbuciado uma desculpa. Mas voltei para a linda casa deles naquela noite e fiquei lá, com cara de idiota, vontade de chorar e dor de cabeça. Eu me entreguei, voluntariamente, à armadilha.

Éter

Livro novo da Luciana. Vem aí, vem aí.

Chá de hortelã para doer menos

Tudo bem que todo mundo fala sobre o próprio tempo, ainda que falando do passado, ainda que falando do futuro. Com David Hockney não seria diferente. Acontece que tenho pensando demais em você (quando não, buliçosa criatura?) e, enquanto fazia isso, li este delicioso volume que me caiu nas mãos, menos por mérito e mais porque sou muitíssimo bem relacionada. Sei que você gosta dele, moço-bom-do-juízo-que-és. Bom, mas quem não gosta? (Sim, sei que tem quem não goste, mas olha, essa gente não conta).

Fui lendo e pensando no impensável, porque Hockney não é fácil. As formas gentis e coloridas nos enganam. Batemos o olho em suas telas para dar um sorriso “Ah, isso aí eu…”. Não, não, você coisa alguma. O que há ali é sofisticação de traço, de entendimento, de investigação.

Pensei que também não somos, você, eu, tão fáceis de entender? Claro que sim.

Hockney nasceu em 1937 (e está entre nós) e fez parte da turma que, de olhos bem atentos, desenhou a arte do século XX. Não o que a arte do século XX poderia ser, mas o que ela foi. Ele estava lá, ele fez. Não previu, não esboçou, não achou. Viu, desenhou, fotografou, gravou. Ah, e pintou.

As curvas do caminho que leva à garagem, as paredes escarpadas do despenhadeiro e os barquinhos que não vão voltar: o universo mais cotidiano e, por isso mesmo, grandioso do que nos cerca, está entremeado aos pincéis, aos potes de tinta, às telas esticadinhas.

O azul tão azul das piscinas que um dia haveremos de ter, os rosa tão rosadinho do pôr do sol, o talento para capturar o cinza das pedrinhas no chão de uma tarde de verão e o tom da pele do nariz meio esquisito de alguém que amamos (acho que ele um dia deveria pintar suas orelhinhas): as cores de Hockney estão nas telas e nele (joga o véio no Google e olha as cores que ele veste).

O que o imenso Livingstone alcança, em cada um de seus ensaios neste livro tão bonito, é a observação da versatilidade, análise do extraordinário realismo e um cuidadoso esmiuçar dos detalhes que partem nosso coração, das muitas obras, das muitas vidas de David Hockney. Que não, não poderiam ser nossas. Porque, meu bem, não somos mesmo fáceis. Mas não somos Hockney.

David Hockney – Marco Livingstone

Thames and Hudson

Adivinha

Eu: Mã, adivinha quantas aulas eu vou dar no meu aniversário?

Mã: NENHUMA!!!

Eu: Nove.

Vem cá, meu bem

Repetir para Elaborar

Reclames do Drops

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Piu Piu


Alteramos a data por uma questão de agenda, mas continua valendo:
"As aventuras de Gattai nos anos 1920 de Alcântara Machado: paralelepípedos, leiteiros de carroça, fonfons e construção de memória."
Somente para os apoiadores da Guilda do Drops. https://t.co/glHgMR3OOW
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