Blog novo, né? Mentira, é o mesmo blog, são dezoito anos do mesmo, mesmo, mesmo blog. Ao mesmo tempo, um novo blog. Amo tanto essa sensação. Amo ter um lugar, o meu lugar, para escrever e desenhar, para resmungar e contar histórias. Feliz demais.

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Jantar, que conceito sensacional. Se incluir sopa de feijão, então, pelamor.

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Ontem, o presidente da Câmara falou mal da atuação do ministro do Meio Ambiente. O ministro respondeu como um idiota, chamando o cara de “Nhonho”. Eu achei que se pronunciasse “nhonhô“, porque, né. Daí me ensinaram que se pronuncia “Nhônho”, o nome dalguma personagem da tevê que me escapou ao longo dos anos vivendo na Fabialândia (um dia, um dos homens que mais amo na vida me deu um baita esporro porque eu não sabia quem era Anita – ou Anitta. Continuo não sabendo e fiquei magoadíssima com o esporro. Como se pode ver, ainda estou).

A atitude das pessoas que nos governam é assustadora. Postura. Não há. Não é que não leiam Melville, não leem mesmo, mas Melville nem entra na equação. É uma gente que NÃO SABE SE COMPORTAR. Meu Deus do céu. Se meu irmão, aos doze anos, xingasse um amigo, levaria um tapa na boca. É simples assim. São homens e mulheres que não sabem se comportar. E, sim, foram eleitos. Por pessoas tão escrotas quanto eles.

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Além do Verissimo, ganhei duas garrafas imensas de cobertura de sorvete. Era só isso mesmo, queria registrar meu privilégio para facilitar o trabalho dos tribunais do povo quando vier a revolução. Ligo o ventilador para os gatos e como sorvete, a partir de hoje, com calda de framboesa. Pendurem minha cabeça na ponta duma estaca, sobre os muros da cidade. Eu mereço.

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Nossos lírios abriram e que lindo o tom creme deles, que perfume maravilhoso, que lindos, que lindos. E daí os gatos foram e estraçalharam com eles e eles tão capengas. Mas continuam lindos.

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Metade o busto duma deusa maia, metade um grande rabo de baleia. Salve, Gil.

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Estou preparando um livro tão bom, tão bom, que até dói.

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Quero batata-doce frita em rodelas. E vou ficar querendo, eu sei.

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As palavras e eu estamos nos estranhando, meu caro, porque não quero falar da vida. Entende? Não quero montar as aulas dos alunos. Não quero trabalhar no meu livro (tenho um baita preparador de originais, mais a Nepomuceno toda se oferecendo para ler garranchos sem sentido – sente o drama -, e zero serviço para mostrar para eles). Não quero escrever no blog. Não quero escrever aulinha virtual. Não quero lavar o quintal. Não quero escovar os gatos. Não quero beber vinho. Não quero cantar Chico Buarque. Não quero hidratar o cabelo. Só quero falar de você. Quero falar de você e de você e de você. Quer desenhar seu nome num caderninho com um coração ao lado. Quero decorar seus sobrenomes. Quero falar das suas mãos, quero falar do seu sotaque, quero explicar como a cor dos seus olhos é quase um céu nublado. Quero fazer poesia ruim para você. Aliás, já fiz. Fiz um livro inteiro de poesia ruim para você. Quero falar de você, não quero trabalhar. Não conte isso para a Suzi, tenho mais medo dela do que o Maximus, e olha que ele morre de medo da Suzi. Mas é isso. Não quero trabalhar, comer, ver séries, cozinhar, jogar meu joguinho vício de computadô, andar Otelo. Quero falar de você para o resto da minha vida. Quero dizer que eu moraria num telhado com você Quero comparar a cor da sua pele com o fruto das oliveiras, entende? Quero ser incrivelmente cafona e falar só de você.

Não, as coisas não vão bem. Mesmo. Eu sei, você sabe. O mundo acabou. Além disso, estamos chatos. Insuportáveis, malas, idiotas. Sacais. Textos chatos (o nosso, por exemplo), discussões medíocres, conclusões rasas. Em todos os cantos, gente burra ou que se acha espertona e também é burra.
Tudo ruim. Intolerável. Sem esperança de melhora.
Tudo.
Menos meu site.
Meu site tá lindo. Fofo. Engraçado. Organizado. Perfeito.
Graças a mim, que sou um gênio cibernético.
E à Guilda do Drops, esse grupo adorável e querido, que resolveu que valia a pena se juntar para cuidar do Drops.
Então é isso, site novo, vida nova. Bom, site novo.
Sim, ainda tem cousas a arrumar, eu sei. Eu sei.

Sejam bem-vindos. Todos vocês.

Maximus


Notas rápidas duma digitação errante

Deve haver alguma espécie de explicação pra sem-noçãozice, a sua, a minha, mas né, a NASA não liberou o material, de modos que só observo a pessoa circulando alegremente entre o resto do pessoal, fingindo que olha, tudo bem.

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A filha da amiga tem cinco anos e não se conforma quando vê a cena na casa dela ou aqui: um adulto, com a tevê desligada, lendo um livro feito de papel. Ela esteve aqui e não queria conversar ou fazer gracinha ao me cercar enquanto eu lia. Estava mesmo impressionada. “Você fica que nem a minha mãe, sem se mexer, lendo, lendo. O seu livro não pisca”. 

Não emito juízo de valor, quem ama o passado pelo passado e não as coisas legais do passado, que volte a tomar banho de canequinha, mas ler livros me parece ser uma daquelas atividades que, muito em breve, vai se unir a bater manteiga, acender o lampião, levantar-se pra torcar o canal da tevê (com bombril na antena), casar por procuração e fazer a América.

Eu e meus livros que não piscam, graças a Deus, em extinção acelerada. Que São Darwin nos abençoe.

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Filmes velhos na Netflix. Obrigada, civilização ocidental.

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Meu braço tá uma chatura e eu não quero mais falar dele.

Segundo semestre de 2018

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