Rosaceae

– Permita que o homem cego lave suas feridas – ele me disse ao perceber a dor em minha voz. Tomávamos café num balcão anônimo, falávamos da vida e o assunto era vago, quase impessoal. Com um gesto, ele pegou o biscoitinho de amêndoas do pires dele e o ofereceu, assim, no ar. Aproximei minha boca de sua mão e aceitei a prenda. Quase engasguei com o sabor amargo das amêndoas, a surpresa, a urgência na voz dele e com o tesão. O meu. Sacudi a cabeça, como se ele pudesse me ver. Segurando meu braço, ele nos tirou da cafeteria e de lá para o táxi e de lá para a cama dele, onde suas mãos fizeram o melhor que podiam para acalmar minha dor.

Gozei aquela noite olhando nos olhos de um homem que não me via, olhando nos olhos de um homem que me viu como se eu sempre estivesse ali, como se eu fosse boa, como se eu merecesse ser vista.

Ele gozou dizendo meu nome, com a boca em meus cabelos, as mãos na minha bunda.

Um sujeito falando em alemão

Coloca a mão na minha bunda, por favor.

Vocês ali, quase dormindo, quase com tesão, quase assistindo ao filme, envoltos naquela bruma entorpecida de quem está de barriga cheia, tonto de vinho, quentinho. Ele coloca a mão na curva da sua bunda, você se estica para alcançar a taça, um peito escapole para fora da colcha, um cão late lá no fim da rua, o fio da meada do filme perdido há muito, vocês querem ir para a cama, mas pelo amor de Deus, quantos passos até lá, uns vinte? Sem condições. Parece que tem um sujeito falando em alemão no filme, vamos prestar atenção que ainda dá pra recuperar, ele dá meio que um ronco quando ri, você bate o dente na taça e dói um pouco, sua nuca cabe direitinho no peito dele, a sala parece um velho navio flutuando a esmo num mar gentil e tem uma mão morna sobre a sua bunda.

bom dia, Iugoslávia

Nada disso era você

Foi há tanto tempo. Você não existia. Meu mundo seguia em frente, porque você estava em algum lugar, mas em lugar nenhum. Seu nome não era. O sol, as casinhas, os gatos que eu tinha na época, meus planos, meus passos: nada disso era você.

#diarinho

Tecidos para uma costureira que sequer foi encontrada tiveram seu destino debatido hoje. As aulas correram bem . Zero trabalho no livro. Zero trabalho na revisão. Não lavei banheiro. Não arrumei o quarto. Não dobrei as roupas. Não troquei a roupa de máquina. Ou seja: não, não, não. Jantei frango. Adoro frango.

Vem cá, meu bem

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A pré-venda ainda continua mas com cartinha de amor das autoras é só até segunda.
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