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Quando

Eu fico vendo esses filminhos de casal que tem catiorro trazendo nenê pra casa e nenê e catiorro virando melhores amigos e só posso pensar que coitado do cachorro.

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The night of, série do Turturro, que porrada, que porrada, as perebas do Turturro não cicatrizam e as nossa também não, o cliente do Turturro vai virando outra coisa, as perebas do Turturro também, o gato trancado num quartinho, as luvas do Michael Jackson, o rádio antigo (e qual rádio não é antigo?), o desamparo do Turturro, a puta linda, os gritos do farmacêutico, os tratamentos, o medo do Turturro, as mãos tatuadas, a aposentadoria do policial, os saquinhos de droga escondidos na buceta da mãe de alguém, as câmeras de rua, nossa conta do facebook, os código que não entendemos e os que obedecemos.

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O processo de mumificação de um cadáver depende dum monte de coisas tipo clima, umidade, como que o cara morreu e como ele era em vida. E de sorte. Até pra ser uma múmia maneira você depende de sorte. Que merda que é a vida.

É claro que quando vi o cadáver-múmia no tapete eu não sabia de nada disso.

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[no celular: We’ll be the stars, com Sabrina Carpenter]

Trecho de: Todo o tempo em que passei de joelhos esperando por você, Olimpia Caballer. (no prelo)

Quando

A obsessão com máquinas de fazer gelo me é incompreensível. Achei que era coisa da gringa, mas parece que agora existe também por estas plagas. Sou do tempo em que enfiávamos uma bandeja de quadradinhos plásticos no freezer e o serviço estava feito, mas graças a Deus estou em franca extinção.

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Um dos capítulos terá de se chamar “A Ângela Fatorelli tinha razão” e o pior é que ela nem vai ler o livro.

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Sopa de sabor não identificado, a melhor sopa, sempre.

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Minha primeira reação ao ver o cadáver foi pensar “não é um cadáver, não, é um cadáver de mentirinha”. O cinema me estragou demais.

Quando

Quando você morre, quem assume? A biologia e a química.

Saem de cena seus sonhos e desejos, Freud vai embora sem olhar para trás, todas as suas racionalizações imbecis desaparecem e aquele seu “não sei se fui claro…” , vai para a casa do caralho. Meu francês é esse mesmo.

Quando você morre, se torna usina de reações químicas bem nojentas, colônia de bactérias e uma lembrança dolorosa para a maioria de nós – coisa que já era em vida, então, tudo bem.

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[no celular: Take Me Home, Country Roads – The Petersens]

Trecho de: Todo o tempo em que passei de joelhos esperando por você, Olimpia Caballer. (no prelo)

Quando

Documentário novo no ar e eu não preciso mais ler a opinião de gente escrota a respeito, porque além de escrota, covarde.

A vida, às vezes, melhora.

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Os covardes sempre fogem, eles não ficam aqui sendo covardes. Eles se vão. Olha, que alento.

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[no celular: Blank Space – Style (Mash-up), Louisa Wendorff e Devin Dawson]

Trecho de: Todo o tempo em que passei de joelhos esperando por você, Olimpia Caballer. (no prelo)

Quando

É patético demais eu reclamar que ele não me dava bom dia? Que não me desejava bom sábado? É. É sim.

Mas aí você vai e encontra um cadáver. Um cadáver duns cem anos, mas e daí? Um cadáver bota as coisas em perspectiva. Pode acreditar.

Ah, tinha um cara morto no tapete, caceta.

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[no celular: Lapinha, com Baden Powell]

trecho de Todo o tempo em que permaneci de joelhos esperando por você, de Olimpia Caballer [no prelo]

Quando

Éramos da mesma turma, ele e eu. Andamos juntos muito tempo. Ele me disse eu te amo duas vezes. Era um eu te amo em que não se devia acreditar, mas eu não sabia disso, então, bom, acreditei. Nas duas vezes. Faltava alguma coisa naquele casamento patético dele com a assistente mística, então ele me ligava. Ele me ligava para cantar em meu aniversário. Ele me ligava para falar de filmes e livros, de coisas, reclamar do trabalho e para cavucar as mil doenças gravíssimas que carregava consigo, para contar da viagem da mãe para a Itália, para me contar que tinha ido ao aniversário do amigo. Ele falava muito dele mesmo e eu fazia hum-hum no telefone. Uma vez eu mostrei o Chico Buarque mais lindo do mundo para ele e ele meio que gritou uma barata! e bateu o telefone na minha cara. Mas eu deixei ele me ligar de novo. E de novo. Ele me ligava sem marcar hora, sem perguntar se podia, como se eu estivesse à disposição dele. Eu estava à disposição dele. Depois de se separar da Maria Xixi, ele continuou me ligando. Faltava alguma coisa nele, com ou sem a Maria Xixi. Ele me mandava fotos do apartamento que estava arrumando para viver sozinho. Talvez, só talvez, o que faltava nele fosse eu. De qualquer maneira, ele me ligava mais vezes. Falava ainda mais de si, o assunto mais importante do mundo. Antes de morrer, a minha irmã, rainha de todos os reinos do drama, me disse que ele me destruiria. Ele me destruiu.

[no celular: Extreme Ways, Moby]

trecho deTodo o tempo em que permaneci de joelhos esperando por você, de Olimpia Caballer [no prelo]

Vem cá, meu bem

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Águas Passadas