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Você está Aqui

Continue a nadar…

por Andréa Pontes

A vista que a Madonna está tendo é bonita, bonita.

Quando você pensa que atingiu o limite máximo, que o oxigênio terminou, que tá puxado, é exatamente aí que algo inesperado acontece.

É óbvio que a gente não quer chegar a esse ponto. Mas, às vezes, a vida vai mandando ondas na sequência, como um mar agitado. E você quer muito o mar. O mar é a sua vida, a água com sal é objeto de desejo. Ainda mais para uma carioca que mora em São Paulo.

As ondas te derrubam, você se levanta. Mas, vem a outra. Você cai na areia molhada de novo. Há um ar diferente, que é a maresia. Uma delícia. Você vai apreciando o bom momento. Mas vem outra onda. E lá vamos nós de novo.

É a vida. É bonita, bonita, cansativa, bonita, cansativa, cansativa, cansativa, cansativa.

A vida é um eterno lead. Em jornalismo, um lead é construído com respostas às seguintes perguntas: o quê, quem, quando, quanto, como, onde, por que, para quê.  Se você não responde a uma dessas perguntas, o conteúdo é considerado capenga. Falta algo.

Se não respondermos a nós mesmos quem somos, o que queremos, por que e para quê, quando faremos o que é preciso, onde estamos, quanto vamos investir nisso, a gente fica capenga.

É preciso enfrentar a onda e ir aos poucos entrando nesse mar. Mergulhar, nadar, boiar. É o prêmio de passar pelas ondas.

O mar de Dorival Caymmi, que quando quebra na praia, é bonito. O mar que gera a vida em ondas, de Lulu Santos.

É bonito. É cansativo. É o que é.

Senna, Madonna; ah, até é 1º de maio

por Andréia Pontes

No Dia do Trabalho, um feriado, mas com agenda cheia – protestos nas Filipinas, Coreia do Sul, Taiwan, Indonésia e Turquia. Na esfera internacional, decisão equivocada da reitora da Universidade de Columbia, Nemat Minouche Shafik em relação aos manifestantes a favor da Palestina. A reitora ameaçou os manifestantes, chegou a suspender alguns. A Polícia interveio, alguns estudantes foram presos, mas as manifestações se espalham pelos EUA. E isso pode custar caro ao Joe Biden, principalmente com as eleições vindo por aí.

No Brasil, as manchetes confundem a gente. Você tem a chamada falando que a taxa de desemprego subiu; na outra, que caiu. Como assim? Na verdade, a taxa no primeiro trimestre ficou em 7,9%. Significa que é a menor desde 2014. Já se comparado ao trimestre entre outubro e dezembro de 2023, ela tem uma diferença de 0,5% para mais. Sobre diferentes chamadas sobre um mesmo assunto, tem gente muito boa que fala sobre isso, a exemplo da Letícia Sallorenzo, que está concluindo um doutorado somente analisando discursos e narrativas no Jornalismo. Procure por Gramática da Manipulação, pesquisa sobre George Lackoff e siga a Letícia para mais dicas.

São 30 anos sem o Ayrton. Naquele 1994, assistia à corrida com meu pai. Lembro da voz do Galvão ao dizer que Senna bateu forte. O tom foi ficando sóbrio, aqueles minutos intermináveis sobre o que havia acontecido e o inacreditável aconteceu. Eu lembro do estado de negação meu e do meu pai. Não pode ser. E aqueles dias seguidos do enterro, do Alain Prost no Cemitério e tantas figuras importantíssimas da F-1.  Os domingos não mais foram os mesmos. E não é frase comum. Pesou para os ombros de Rubinho, de Massa. E, hoje, sentimos falta daquelas loucuras na pista em dia de chuva, naquelas brigas entre pilotos, naquela histórica vitória exaustiva em Interlagos, em que Ayrton veio no braço, superando um problema no motor da McLaren.

Alheios a tudo isso, fãs de Madonna lotam a calçada do Copacabana Palace. Narcisa está com megafone, como boa súdita da rainha, gritando por ela. O comércio do Saara, no centro do Rio, vende copos, sutiãs icônicos, garrafinhas, tudo o que você imaginar. Um surto coletivo é esperado ainda hoje, na passagem de som. O dia 4 não será o mesmo, há quem diga que a Terra só está aguardando esse show para anunciar a nossa expulsão do planeta.

Desculpe quem não é carioca, mas só o Rio proporciona essas experiências únicas.

No pasa nada, cariño.

O fim do mundo que há em nós

por Andréa Pontes

O pet lembra aos seres humanos: há fofurices no mundo.

19h14. Coluna atrasada. Coluna doendo na lombar. Tornozelo inchado. É, sexta-feira, você cada vez mais cobrando o preço. É preciso tomar outro banho (esse mormaço fica entre a chuva e o calor na base da pancada). É preciso lavar o nariz nesse tempo ora seco, ora com a umidade nas alturas. Há quem diga que o mundo acabou e só estão mesmo aguardando o show da Madonna começar. É. Pode ser.

Silêncio. Respirar fundo, fechar os olhos, colocar as pálpebras pesadas e pensar o quanto ainda temos vida pela frente. Verdadeiramente, penso que as árvores, as frutas, as flores, os pets, as florestas, os rios, cachoeiras, devem ter algum tipo de comunicação que não compreendemos. Mas, eles, sim. O diálogo, imaginário (ou não, para quem acredita) não deve ser bom para nós.

– Gente, eles não vão parar de queimar a gente, não?

– Eu não sei o que têm na cabeça, atentam contra a própria vida, esse pessoal aí que diz que é superior a nós.

– Eu, hein, não sabem tomar um banho de rio, de cachoeira, de mar, como antes. Não têm tempo de respirar, que perigo. Estão sempre nervosos ou à base de remédios demais?

Respirar fundo. Entender que cada minuto conta. Que, no fim, não tem #tbt ou como voltar atrás.

Vai ser vida a menos a cada seriedade demais. A cada falta de riso, de simplesmente caminhar por aí, de ser humanamente feliz.

Constato, não surpresa, mas, triste, mesmo, que discutimos tanto a Inteligência Artificial e a gente está aí, rindo menos, chorando, odiando mais.  Vendo menos o mar, fazendo menos carinho nos pets, ouvindo menos os passarinhos cantarem.  Vai chegar uma hora que por questões médicas seremos obrigados a…. viver.

Superávit, Reforma Tributária e os mesmos problemas de sempre

por Andréa Pontes

estamos todos descabelados com o noticiário

A semana (ou melhor, o milênio, que é para a gente não ser injusta) começou quente. A sensação é que há um tiroteio de notícias. Quando você se abaixa para desviar-se de uma, é atingido por outras.
Nessa semana, vimos uma parte do que a extrema-direita pode ainda fazer. Há uma movimentação pelo mundo e é preciso acompanhar as narrativas. Sim, elas que movem discursos, ações e conseguem explicar por que faz sentido levantar um projeto de lei contra o veganismo nas escolas do Rio, porque, na visão do autor – Carlos Bolsonaro – é algo da esquerda. Faz parte de narrativas, até porque não é preciso muito conhecimento para saber que merenda escolar no sistema público conta com algo próximo a zero para crianças veganas. A maioria está faminta e sequer tem todas as refeições diárias em casa. A escola, muitas vezes, acaba resolvendo questões sociais com profundas camadas.
Então, se você quer votar da melhor maneira possível nas eleições municipais deste ano, por mais que o estômago se revire e você simplesmente não dê conta de tantos temas, é preciso prestar atenção ao noticiário e às narrativas. Vai além de repetir informações, mas entender o porquê. Já é uma grande diferença, em um mundo que tem mais gente falando por falar sem saber o que diz.
Dito isso, a segunda-feira, pós um domingo de extrema-direita em Copacabana, no Rio, vivenciou o Acredita. O nome, um bom recado para nós, brasileiros. O programa, com crédito para quem tem Bolsa Família e Desenrola para pequenas empresas. Ou seja, o Governo vai ao encontro de quem mais sofre. Para justamente movimentar o poder aquisitivo e fazer a economia girar.

O presidente Lula faz uma comparação, no café com jornalistas, para lá de inteligente, ao exemplificar o que é gasto e o que é investimento: “os jornais que vocês trabalham investem no salário de vocês é gasto? Ou é investimento?”. Lula quis dizer ao mercado que educação, ciência, saúde são investimentos. O mercado chiará, de todo jeito. Pois estão de olho no teto de gastos. Para isso, o Ministro Hadad entrou hoje mesmo com um Projeto de regulamentação da reforma tributária. O programa prevê uma execução até 2025, para então haver transição do IVA (Imposto sobre Valor Agregado). O IVA vem para que, na cadeia produtiva, ou seja, da origem até o produto na sua casa, os impostos sejam pagos uma só vez por cada um que faz parte desse caminho. O que torna a vida das empresas muito mais fácil, sem precisar pagar inúmeros impostos.

Já o nosso vizinho, a Argentina, tem um presidente que vai comunicar o primeiro ‘superávit’ depois de muito tempo em território portenho. Porém, colocando a lupa nessa informação, vemos que não é bem assim. De que adianta arrecadar mais e gastar menos, se a Universidade de Buenos Aires, uma referência para muitos brasileiros, não tem como pagar a conta de luz? Cortar despesas é essencial a um governo com 280% de inflação ao ano, mas cortar subsídios sociais sem previsibilidade de volta, aumentando contas de luz e gás, por exemplo, é um combate ao déficit insustentável. Algo não está muito certo.

Estamos há décadas falando dos mesmos problemas – fome, má distribuição de renda, gastos públicos, falta de moradia para todo mundo. Por isso, precisamos tanto nos aprofundar e não comprar de imediato as informações como superficialmente se apresentam.

Vem cá, meu bem

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Águas Passadas