bom dia, Iugoslávia

Nada disso era você

Foi há tanto tempo. Você não existia. Meu mundo seguia em frente, porque você estava em algum lugar, mas em lugar nenhum. Seu nome não era. O sol, as casinhas, os gatos que eu tinha na época, meus planos, meus passos: nada disso era você.

#diarinho

Tecidos para uma costureira que sequer foi encontrada tiveram seu destino debatido hoje. As aulas correram bem . Zero trabalho no livro. Zero trabalho na revisão. Não lavei banheiro. Não arrumei o quarto. Não dobrei as roupas. Não troquei a roupa de máquina. Ou seja: não, não, não. Jantei frango. Adoro frango.

Eu tive um sonho

Eu tive um sonho. Lindo. Fui dormir às 19h30 e acordei à meia-noite, encantada. Sentei, escrevi meu sonho. Foi lindo. Quase nunca tenho pesadelos, sonhos horríveis, de acordar chorando. Mas são raros também sonhos realmente felizes. Meus sonhos, no mais das vezes, são. Sonho, acordo, a vida segue.

Mas neste domingo, tive um sonho lindo. Redondinho. Perfeito. Final feliz. Olha. Meu inconsciente, eu pensei, quer me dar um abracinho, cheirar meu cabelo, beijar minhas pálpebras, soprar meu rosto, me dizer que vai tudo ficar bem, todas essas cousas que, quem nos ama, não tarda em fazer. Obrigada, inconsciente. Você foi uma fofura.

Sonho anotado, xixi feito, caminha do cãozinho afofada, voltei para a cama e antes de cair na segunda parte do meu sono, lembrei duma cousa que minha mãe me ensinou há tantos anos e que eu vivo para esquecer: rejeição prende, amor liberta. É tão simples, tão fato, tão óbvio. Mas eu escolho não saber.

Meus olhos pesaram e, quase já não aqui, eu me dei conta de que a fofura do meu cerebrinho reptiliano pode, muito bem, ser contestada. Ele quer manter você aqui, mesmo nos horários em que escolho não fazer isso.

Rádio Drops

~ I get knocked down, but I get up again ~

Bom dia, Iugoslávia

Nesse meio tempo

Às vezes volto ao que D. um dia chamou de meu “vício em trabalhos ruins”. Agora que tenho as aulas, posso sustentar meu vício, ou melhor, permitir que o sustento que ele me dá seja um suplemento de renda, não a razão principal da manutenção da casa.

Mais ou menos como o que sinto por D.

O que sinto por D. é um alegria, não uma angústia, um pontinho brilhante que me ajuda a atravessar os dias. Jamais terei, jamais poderá ocupar o palco principal do meu circo, mas ok, o que sinto está num dos picadeiros laterais, ao lado do picadeiro de Madame Janice – presente, passado e futuro, do cara que encosta o calcanhar na orelha e no sujeito que faz aquele truque da ervilha e os copinhos. Ia falar sobre o circo de pulgas, mas D. é jovem demais para conhecer essa história.

Enfim, mandei material pro Paulo, recebi o material do Paulo, arrumei tudo num pacote palatável e enviei meu trabalho-vício, esperando ser paga algum dia ainda desta era geológica. Tomei um banho de estrela de cinema, se alguma estrela de cinema um dia tivesse um banheiro tão pobrinho quanto o meu. Coloquei um pijama limpo (D. sabe a verdade sobre mim, uso pijamas o tempo todo), e desci as escadas.

Estava com fome, estou sempre com fome.

Fiz uma cumbuca do mais perfeito, mais suculento, mais maravilhoso macarrão ao sugo de que se tem notícia. E abri uma garrafa de vinho. Sim, eram dez da manhã e nós não vamos falar sobre isso.

Comi minha cumbuca de macarrão. Bebi meu vinho.

Ah, e me permiti pensar em D. por aproximadamente doze segundos.

D. rira se me visse em meu jantar da vitória às dez da manhã. Mas, acho, comeria um pouco do meu macarrão e beberia meu vinho tinto gelado (no Brasil, vinho tinto se serve gelado e quem não concordar com isso que emigre para a Rússia e nos leve junto).

D. me disse para não abusar do vinho porque eu tinha aula para dar para a Marcella às quatro da tarde.

D. até lavou a louça porque, ei, a fantasia é minha, eu decido quem lava a louça.

Parei, enfim, de pensar em D., acabei meu macarrão, lavei minha própria louça e me deitei para ver um cadinho dum filme espanhol. Às três e meia subi, abri o documento da aula da Marcella e a da Diana, que viria depois. Dei as aulas das meninas, desliguei computador, fui pra cama dia ainda e dormi por doze horas.

Quando acordei de madrugadinha para ler os textos da aula do Antonho, que começava às sete da manhã, respondi os recados de D. sobre séries. Depois dei aula o dia todo e a vida seguiu seu trem-trem.

Não me lembro porque comecei a lhe contar toda essa história.

Vem cá, meu bem

Repetir para Elaborar

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Piu Piu


Nenhuma outra palavra da língua portuguesa tem a indicação de plural no seu interior, o comum é sempre no fim. Por isso, QUAISQUER é uma palavra especial.
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