Umas tristezinhas, uma dor enorme, um susto, uma morte injustificada debaixo de porradas injustificadas, uma leve irritação, uma enorme irritação, clientes que me fizeram desligar o computador tremendo (mesmo) de indignação, um pudim que nem sei descrever, uma coquinha gelada, planos, zero você.

Algumas semanas são assim. Difíceis. A gente não corre. Não grita com os outros (ainda que ouça gritos dos descontrolados). A gente não joga as coisas na parede (tudo bem, confesso, às vezes algum dicionário voa) e, é claro, a gente não desconta nos gatos. A gente segue na única direção possível. Isso.

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Gente, roupa preta não emagrece. O que emagrece é dieta.

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O cara que reclama porque não tem trabalho. Daí, o cara que reclama porque tem trabalho demais e não tem vida e não pode passear e… Jamais entenderei.

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Conversando com um amigo no domingo, chegamos à conclusão que vamos para a rua exigir um trem chamado “BOLSA LATINO-AMERICA”. Os contemplados (ele e eu, só), receberiam autorização pra fazer um puxadinho no sítio do do Mujica e ficar lá até o apocalipse-zumbi. Eu sei capinar, ordenhar (será que eu ainda sei ordenhar?), fazer pão (na mão, a máquina de pão inda é um mistério-misterioso e me encara, irônica, lá do balcão), fazer sardela, acender fogo de um monte de formas, cantar várias de musiquinhas dos anos 1970 e19 80 (nunca subestimem os benefícios duma rodinha de violão). Não sei rachar lenha, mas meu amigo é grande, ele há de se virar. Certeza que Mujica vai achar alguma utilidade pra gente. Não entendo de plantação (a não ser que feijão no algodão dentro do copinho de danone conte), mas se Mujica me aceitar, prometo aprender.

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Amo quando meus amigos que entendem de computadô e gentilmente querem me ensinar alguma coisa, dizem ‘abra o iniciar e clique em….’. Paro de entender aí, claro, e não tenho a menor condição de fazer nada daquilo que eles mandam, mas o que vale é a intenção e a delicadeza deles.

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O mundo do cinema se divide entre filmes com e sem o Samuel L. Jackson, e os ‘sem’ são minoria. Não que eu esteja reclamando, amo esse cara. Adoro ele ser tão filmeiro. Só essa semana, assisti três. Tudo bem, talvez não tenha sido assim, tão dificil.

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(história antiga)

– A roupa tá boa?

– Tá.

– Não marca aqui em cima?

– Não.

– Orna com o sapato?

– Orna.

– E o que é que eu faço com esse cabelo ridículo?

– Quer uma tiara, mã?

– Minha filha, e eu lá tenho idade pra usar tiara?

– Mã, idade pra usar tiara nenhuma de nós duas tem. Não tou perguntando isso, não tou fazendo enquete. Quer uma tiara pra ir passear?

– Quero, vá.

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Da lista de 250 filmes que pergunta “Quantos filmes você viu?”, vi 38. Ou seja.

PS: Ah sim, forçoso admitir, os filmes da série “Senhor dos Anéis”, só vi porque a querida Ana Laura, dias depois da morte do não menos querido A., passou os três, um em seguida do outro, numa tentativa muito linda e muito fofa de me distrair.

E meu amigo D., numa cavalheiresca tentativa de me consolar, disse que não, eu não vivo num mundo à parte, só assisto vezes demais os mesmos filmes para “dominar o assunto”. Um lorde.

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Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é oura coisa. Só pra esclarecer.

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(história antiga)

E a moça:

_ Que cor de esmalte você quer?

E eu:

_ Vermelho.

E a moça:

_ Esmalte vermelho-paixão ou esmalte vermelho-tomate?

E eu (em pensamento):

_ Moça, não força a amizade.

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Você sabe que fracassou quando depois de virar a madrugada trabalhando, vê que o dia amanheceu, que na televisão rola um filme chamado Aventuras Caninas (título autoexplicativo), que o prazo vence hoje e que…. Sei lá. Você não lavou a cabeça. Não toma os remédios há uns 4 dias. Perdeu três consultas consecutivas na dentista. Comprou vestidos sem ter grana para isso. E… ah, sei lá mesmo. É tanta coisa. Seu fracasso está em todos os lugares.

Lessing sabia disso muito bem: você deve comer enquanto lê. Enquanto seus olhos absorvem as palavras, sua boca deve absorver calorias. Ela que dizia, não eu. Eu só obedeço.

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Comprei novas tigelas de tomar café com leite. São enormes e coloridas e lindas e foram tão baratas que dá até vergonha. Talvez tenham sido feitas nalguma biboca desse mundo, por mãos mal pagas e infelizes, quem sabe menores de idade. Mas vou dizer: são lindas.

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Tomo café com leite em tigelas desde que me entendo por gente, mesmo antes de saber que parte dos franceses faz isso. Mesmo antes de saber que a França existia, acho. É que realmente nunca me ocorreu forma melhor de tomar café com leite. Canecas são legais, xícaras são lindas, mas tigelas são… confortáveis. Você ocupa suas duas mãos, o que é o ideal. Vê um lago – não um poço – e o cheiro e o vapor, quando se aproxima a tigela da boca, envolvem todo o seu rosto, o que faz parecer que você está sempre em casa, ainda que você não vá para lá há mais de trinta e cinco anos, como é o meu caso.

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Será que a Lessing tomava café com leite em tigelas?

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Não sei no que pocha seus nuggets você, querido leitor, mas o meu, pocho num molho de pera e nozes. Ser filha da minha mãe é deveras agradável, devo confessar.

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Antes dou depois do Acordo (dos vários, vários Acordos), as regras para uso de hífen são de sentar e chorar. Português é para os fortes de caráter.

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“Fal, você fez o bolo da Telinha?”

“Não”

Isso nunca acontece, diz a pessoa. Daí cê diz, tá bão, mas aconteceu comigo. Daí o cara diz, não, não pode ter acontecido com você, isso nunca acontece. Daí cê diz, então, mas comigo aconteceu. Daí a sequência é a pessoa, na defensiva (do que, meu caralho consagrado, a história é SUA, não dela, é só não se meter e calar a boca), desqualificando você, ou sua memória, ou seu conceito de verdade ou o profissional que atendeu você na situação ou as pessoas envolvidas com você na situação, ou atacando você com toda gentileza que a passividade-agressiva dela permite pela grana que você não tem, ou… Juro, gente, pra quê? O cara diz, aconteceu comigo, você, que não sabe tudo, não vive a vida do cara, não está sob as mesmas circunstâncias que o cara, na casa do cara, na pele do cara, responde, que merda, amigo, sinto muito, como posso te ajudar? Olha que mundo lindo e ao seu alcance. De nada.

Vem cá, meu bem

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