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Quando

Não investigo assassinatos, entenda. Não investigo coisa alguma. Devo estar pagando penduricalhos na minha conta do cartão que nem imagino. Eu faço coisas. Busco documentos, organizo listas, fico na fila para pessoas que têm vidas complexas. No corredor, à esquerda, depois de uma, duas, três portas, entrei num quarto escuro e com cheiro esquisito. Tateei em busca dum interruptor, sem me dar conta da inutilidade do gesto. Quando o encontrei, claro, a luz não se fez. Ainda que a lâmpada (ou a fiação já que falamos nisso) funcionasse, o imóvel estava há décadas sem energia elétrica. Cambaleei até a janela que empurrei feito uma louca até conseguir abrir alguns centímetros. Com o quarto banhado por uma réstia de luz, foi fácil abrir o armário, abrir uma pasta que xxx tinha me dito que estaria na segunda prateleira. Enviei o envelope vermelho A5 na minha bolsa a tiracolo, caminhei até a janela emperrada, que puxei, isso mesmo, feito uma louca, até fechá-la de novo. Tudo certo. Pé ante pé, no escuto empoeirado, saí dali, voltei pelo corredor, entrei na sala. O cadáver não tinha movido um músculo. . [no celular: I still haven’t found what I’m looking for, xxx] trecho de Todo o tempo em que permaneci de joelhos esperando por você, de Olimpia Caballer [no prelo]

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