Elias e o carro de fogo

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Prophet Elijah and the Widow of Sarepta, 1630s, Bernardo Stronzzi
 (Italian Baroque Era Painter, 1581-ca.1644), Oil on canvas, 106 x 138 cm, Kunsthistorisches Museum, Vienna, Austria.

O profeta Elias foi um dos homens mais conhecidos da Bíblia, todo mundo fala dele tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Ele viveu no século 9 antes de Cristo, durante os reinados de Acabe e Acazias, reis que foram citados, de forma muito apropriada, no Livro dos Reis pois o pessoal da escrita já foi bem organizado.

Lembrando que em sua época o povo de Israel havia se dividido em dois reinos logo após a morte de Salomão. Tal qual a Coreia, tinha Judá que era o reino do sul com capital em Jerusalém e Israel era o reino do norte com capital em Samaria. Onde, me perdoem a pobre rima, o pau comia.

A Bíblia não revela nada sobre a vida pessoal e familiar do Elias. Sabemos apenas que ele era um tesbita — que o povo só chuta que pode significar estrangeiro — que morava na terra de Gileade, a leste do Rio Jordão. O nome Elias significa Jeová é Deus. O nome do cara era um verbete.

No tempo de Elias, Israel, o reino do norte, havia alcançado sua melhor posição econômica desde a separação e o rei Onri, de Judá, o reino do sul, estava atirando pra todo lado. Casou seu filho com Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônicos, construiu templo pra Baal em Samaria pois precisava diversificar a arrecadação.

Mas a livre iniciativa do rei Onri foi chamada de idolatria e paganismo pelo rei do norte — por puro revanchismo e inveja por não ter tido a ideia primeiro — e Elias foi chamado para servir como porta voz de Deus. Issumêmo! Para lembrar ao reino de Judá quem é que mandava.

Baal era o deus da vida e da fertilidade. Por conta disso, Elias anunciou ao reino do sul uma grande seca. Seca, seca. Não é rodízio de água, não. Seca da braba.

Não é Baal que controla o tempo? Toma. Seu moço, o trem foi feio. Elias teve que se esconder em caverna e comer o que os corvos traziam pois tava era cheio de gente querendo seu couro.

Mas seca é seca e até o riacho que corria do lado da caverna secou e Elias saiu a procura de abrigo. Achou a casa de uma viúva. Honesta, casta e reclusa, mas já tinha morado no Rio. De sorte que abrigou o moço e o sustentou até o final da seca.

Enquanto isso, em Samaria o pau comia. Jezabel mandou matar os profetas do Senhor. Porém, havia um homem chamado Obadias, oficial de Acabe, seu marido, que conseguiu esconder alguns profetas. Obadias convenceu Acabe a se encontrar com Elias.

Acabe culpava Elias pela miséria em Judá, mas o profeta deixou claro que ele e sua família é que eram os verdadeiros culpados. Eles tinham pecado contra o Senhor, especialmente por causa da idolatria. Então o profeta Elias convocou a galera toda a comparecer no Monte Carmelo. Naquele lugar confrontaria os profetas em dois times: os 450 profetas de Baal sustentados por Jezabel contra os 400 profetas de Israel.

Subiu aquela galera imensa até o monte e ali, pelas regras anunciadas por Elias,  

dois sacrifícios seriam apresentados, um pelos pagãos e outro pelo profeta do Senhor. Quem? Ele mesmo: Elias.

Ninguém poderia queimar os sacrifícios. O fogo deveria surgir de forma sobrenatural. O verdadeiro Deus seria aquele que queimasse o sacrifício, conferindo o título ao seu time de profetas.

Os profetas de Baal fizeram tudo o que puderam, mas nada aconteceu. Elias então, cheio de marra, pediu que derramassem água em cima do seu altar.

O profeta fez a prece e Deus – que adorava brincar de dragão – respondeu com fogo que consumiu os trem tudo, mesmo molhado. (1 Reis 18:23-38).

Elias foi aclamado, os profetas de Baal foram mortos e uma grande chuva caiu sobre Israel. Havia chegado ao fim o período de seca conforme Elias havia anunciado (1 Reis 18:40,41).

Acabe, só de chato, não deu carona pro Elias no caminho de volta, mas o maluco conseguiu fazer todo o trajeto que representava cerca de trinta quilômetros, correndo à frente da carruagem. Além de acertar as parada, tava com o crossfit em dia.

Mas Jezebel não tinha chegado à posição de rainha sendo fofa e ameaçou o Elias de morte. Toca fugir novamente, desta vez para o monte Horebe. Foi um período tenso. Elias chegou a desejar a morte (1 Reis 19:1-4)

O Monte Horebe, ceis tão ligado, foi o local onde Deus ditou os dez mandamentos a Moisés, era um lugar que o Criador frequentava bem.

Elias ficou por ali, mexendo com fogo e escondido de Jezabel por anos. Escondeu-se tão bem que só o filho dela, Acazias, quando se tornou rei, descobriu o paradeiro do profeta. Por conta de uma doença que ele tinha, o rei mandou buscar o Elias à força pra resolver a pereba, que Baal não tava dando conta.

Puta canseira. Elias já tava exausto.

O rei mandou um jipe, com um soldado e um cabo, péra! Enviou um capitão com cinquenta soldados. No pé do monte o capitão grita: Elias! Pow! Fogo na galera. Todos mortos pelo fogo que desceu do céu. Elias, claramente, tinha perdido a paciência.

Acazias enviou outro capitão com mais cinquenta soldados, e também foram consumidos com fogo. Insistente e como soldado era coisa que ele tinha sobrando, Acazias enviou mais um capitão com seus soldados. Este último capitão chegou veiaco. Subiu ao encontro de Elias, na humildade, e suplicou por sua vida e pela vida de seus soldados.

O profeta Elias então o acompanhou até a cidade, mas desta vez montado na carruagem (que diabos!)  e foi à presença do rei para transmitir pessoalmente a sua mensagem acerca da doença que o acometia.

Chegou todo cheio de marra, desceu da carruagem, olhou o perebento e vociferou: Tu vai morrer. Dito e feito.

O final da vida do Elias está registrado em 2 Reis 2. Eliseu, e alguns outros profetas, perceberam que Elias estava chegando ao fim e que ele os deixaria. Por algumas vezes Elias tentou se distanciar das pessoas, viver num distanciamento social mais saudável, mas Eliseu era um grude.

Queria porque queria suceder o profeta. Naquele tempo bastava estar presente na hora da morte e receber a bênção. Onde Elias ia, Eliseu ia atrás. Um sacooooo!

Um dia, Eliseu volta sozinho de uma viagem dessas com a seguinte história:

Depois de um milagre realizado no Jordão o qual teve suas águas divididas – pelo jeito não foi só Moisés que aprendeu o truque – Eliseu pediu uma porção dobrada do espírito do seu mestre.

Ainda segundo Eliseu, Elias lhe concedeu o direito de lhe suceder como patriarca da casa (Gênesis 25:31; Deuteronômio 21:17). Em outras palavras, Eliseu conseguiu a boquinha.

Mas agora, na condição de profeta, Eliseu terminou o relato em apoteose: vi Elias ascender ao céu em um rodamoinho escoltado num carro de fogo com cavalos de fogo (2 Reis 2:11).

O que prova de forma inconteste que Elias foi o primeiro senador da história, antes mesmo de Roma. Pois todo mundo sabe que entrar para o senado é como ir pro céu, sem morrer.

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