Domingo-caderninho

Livrinhos coloridos, cães estranhos, móveis a alguns centímetro do chão e plantas que desafiam as leis mais básicas da botânica: desenhos de um monstro que não sabe desenhar, duma vida improvável, dum alguém que não está.

Domingo-caderninho

Uma voz de outra galáxia, unhas que se roem até sangrar, alô-alô, responde, o de sempre, o de sempre, suspiro, tudo bom?, tudo, o Brasil, o brasil, calma, segura, espera, respira, olhos abertos, fechados, abertos, sussurro, sopro, golpe, gole no vinho, calma, fala, não, não fala, espera, conta, ri, espera, ri de novo, interrompe a frase, fala, fala, despede, tchau, não fala, respira, o chefe da polícia não gosta de mim. Não de verdade.

#DomingoCaderninho

Sonhos duma domesticidade inalcançável, empadinhas, trabalho até tarde no domingo, filminho do Branagh, pão-com-manteiga (não, não tem hífen, mas deveria ter, viu), sangue no canto de cada unha roída, zero limpeza e arrumação. Nem domingo, nem caderninho, nem você, nem seus olhos estranhos, hoje foi só assim.

#DomingoCaderninho

Domingo-caderninho

Letras, ideias, suspiros, um golpe bem dado, fotos perdidas, uma ideia que não tinha mesmo como dar certo, a grade vermelha, a espera dos dias, outro golpe, um apelido secreto, torta de limão da padaria, caneta verde, golpe, golpe, golpe, desvio do golpe, golpe.

Domingo-caderninho

Há aquelas anotações feitas na pressa, caneta de ponta grossa que, somadas à minha letra feia, em nada colaboram para o entendimento, sequências de palavras sem sentido, recados indecifráveis que falam de futuros (acho) obscuros (acho) e coisas dificílimas de resolver (acho). Há apontamentos que, olha, francamente. O povo sumério merece mais esforço de minha parte.

Domingo-caderninho

Caderninhos cheios de memória (e fúria e som), da minha letra irregular, da chuva que o domingo promete, de vírgulas malucas, de parágrafos sem rumo, do seu apelido secreto que me tomaram, então inventei outro, mas agora não tenho coragem de usar, porque tudo mudou. Caderninhos que chegam ao fim e não acabam nunca, como tudo que sinto.

Diário de um mundo que acabou: ervilhas, genocídios e cadeados

Às vezes a pessoa é desnecessariamente grosseira para que você deixe de procurá-la, mas olha, não precisa. Mesmo. A dor dá conta demais desse recado. Você não precisa nem piscar, meu caro.

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Perdi alguém na semana passada. Querido. Amigo, inimigo, bom de briga, bom de cama, bom de dividir livro e projeto.
Perdemos alguém hoje, Maliu e eu. Querido. Jovem. Todo sarado. Feliz, apaixonado.

Perdemos, em menos de uma semana, dois alguéns para essa maldita pandemia que os bobos alegres de plantão minimizam aos gritos, berrando na av. Paulista e no meu ouvido, sendo completamente idiotas como, aliás, seu líder máximo.
Minha dor só não é maior do que meu ódio por esse governo homicida. E minha indignação com os que o apoiam, minha decepção e minha tristeza com essa gente, não cabem no peito.
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Assisti Leave No Trace (Sem rastros) e fiquei muito encantada com a história, com a fotografia, com a construção do relacionamento daquele pai, daquela filha, com a vida deles. E também tou aqui pensando que aquela comunidade no meio do nada, com aqueles bicho-grilos velhos, tocando violão sem afinação e vivendo cada um em sua cabaninha, seria a única comunidade de carne e osso da qual me encantaria participar.

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“Vocês não têm ideia da importância das…” “Vocês não sabem do…” “Vocês não têm noção do que é…”. É, lindão, não temos, você é mesmo o dono lacrador da realidade. Ilumine nossas pobres mente, imploramos.
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“O cadeado”, diz minha mãe, “tem duas chaves” e aí eu começo a rir e aí ela começa a rir, porque nós duas sabemos que vou perder as duas chaves.
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“Silenciar o perfil” é um gesto lindo que significa “quero continuar te amando apesar da sua afeição por genocidas”. As pessoas não me dão o devido valor.
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O Brasil me obriga a concordar com o Rodrigo Maia. Nem sei mais quem sou.
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A quarentena parece tanto com a minha vida normal que evito reclamar.
Meu medo do futuro por viver sob uma pandemia e sob um governo que não tem qualquer interesse em cuidar de mim, da minha saúde ou das minhas contas a pagar, somatiza-se numa alergia misteriosa que corrói minha pele nos antebraços e colo.
Meu sono, porém, minha velha e boa fuga, está cada dia mais profundo.

Morro a cada noite, renasço (mais ou menos) a cada manhã. Sonho com você na maior parte das madrugadas, apesar de todas as suas demonstrações de “Desapareça”. Como explicar seu nojo pro meu inconsciente?
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Maliu estava trocando os canais da tevê e caiu no sono, controle remoto em punho. A tevê num canal daqueles que tem gente em diferentes janelinhas cantando gritado. Deus me livre. Troquei pro canal do Bobigorén.
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Estou assistido tanta coisa boa, tanta, que vou voltar a fazer listas.
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Vizinhos em rodinhas, vizinhos em lambretas, vizinhos jogando vôlei no meio da rua. É o maravilhoso mundo da negação.
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Tenho feito tortas de cebola e queijo cada dia mais lindas e fofas. Não melhora em nada a vida do país, mas dá um alento enorme.
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Leio aqui que “o novo ministro da Saúde não vai participar do anúncio dos dados atualizados do novo coronavírus em Brasília”.
Como elegeram essa escrotidão de governo? Como?
Irresponsáveis.
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Não, gente, água tônica antártica não vai salvar a vida de ninguém.
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Quando a dinâmica se perde, a dinâmica se perde. As pessoas são boas e gentis (quando não estão em grupo) e tentam, mas a dinâmica se foi.

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Os minutos, miados, sachê de ração dum gatinho desdentado, os baldes de água com cândida, freelas, aulas, projetos, amigos, as perdas irreparáveis, fileirinhas de ervilha em lata, ovos fritos cenográficos, teorias da conspiração, copos de suco de uva, a imensa falta que sinto do que não fomos, panos de prato fervidos e quarados, potes de geleia, sprays de SBP, galhos de eucalipto, gotinhas de vapor, sanduíches de queijos, escritos do Allan, sustos petiticos e enormes, dorzinhas finas no meio do peito.

Os instantes de cada dia, de cada cor, da espera, do inevitável, do que é cruel e irrevogável.

Os dias aqui.

Neste mundo que, sim, acabou.

Minhas estantes possíveis

O afago às vezes não vem. Simples assim. É preciso que, em algum momento, você se pergunte se o outro é incapaz do gesto ou se você é incapaz de merecê-lo. Isso, porém, é assunto para depois. Agora você tem de lidar com ausência do afago. Com a não existência do gesto. Há que se trincar os dentes e cerrar os punhos. Tornar os passos ainda mais pesados. É preciso respirar fundo, se essa for uma possibilidade. É preciso continuar. Não, não virá. Sim, você vai sobreviver. Sim, é uma droga.

Uma palavra tão definitiva

Uma palavra tão definitiva
Perda.
É assim mesmo, né?
Definitiva.
Final.
Sem direito a qualquer recurso.
E está certo quem crê nisso.
A perda é sempre definitiva, ainda que pareça insignificante, ainda que um clips, um elástico de cabelo, um suspiro, uma ilusão petitica.

Perda. Perda.
Até o jeito que nós a dizemos é mortalmente sério.
Não admite discussão, não dá espaço para manobra.
Fala comigo: per-da.
Não há o que fazer.
Cabô.

Nas raras vezes em que o perdido é encontrado, volta mudado, volta outro, porque nós mudamos no processo de não mais tê-lo nas mãos, sob a vista, no lugar onde costumava ficar.
O clips foi encontrado, nós não somos os mesmos.
Cabô.

E passados os anos de pensamento mágico, conforme a realidade estilhaça nosso queixo vezes sem fim, aprendemos que:
Sim, toda perda é, a seu próprio modo, definitiva.
Não, não tem volta.
Sim, dói. Quase sempre, dói.
Não, nada ocupa o lugar do que foi perdido.
Quando muito, o novo cavuca um lugarzinho para si mesmo, um novo lugarzinho.

Aprendemos, também, que se pode perder de um tudo: reinos, rumo, cães felpudos, o amor da nossa vida, o cartão do banco, o RG (eu, três vezes), o novo amor da nossa vida, a hora, o papelzinho com o endereço, o medo, a coragem.

E, assustados, mais para perto do fim do que do começo, nós nos damos conta de que somos, ahá, perdíveis.
Nós.
Cada um de nós a seu tempo, ou todos no mesmo segundo (caso nos tome de assalto o apocalipse zumbi).

A perda, diz nossa tia-avó, com seu cabelo em variados tons de lilás, pince-nez na ponta do nariz e xale de tricô (a tia-avó de vocês, não sei, a minha tia-avó imaginária é assinzinha) nos levará a todos e nos perderemos uns dos outros.

Quando faço uma pausa no trabalho, eu me sento nos degraus da garagem tomando chá e fingindo que sei fumar meu mentolado.
Quase sempre é madrugada, quase sempre a rua está quieta e, olha, perda é a última coisa na qual quero pensar.
Fabrico uma velha tia-avó e seus ditados, sopro o chá, o cigarro se queima sozinho, choraminga a gatinha selvaginha, roncam o gatão pelancudo e a gatona tartaruga, saltita o gatinho maluquinho e penso no resto: as cidades pronde eu gostaria de ir, as tarefas de amanhã, se comprei limão, qual era mesmo o nome da música e, antes que eu me dê conta, penso em você.
Que está e não está. Essa perda tão profunda, tão definitiva, tão minha.
Minha tia-avó tem toda razão: nós nos perderemos uns dos outros de novo e novo e novo.

Domingo Caderninho 11

Domingo Caderninho 11
De muitos pedacicos e colagens e histórias e fazeres e papelitos coloridos e embalagens de mequidônis se conta uma história como a nossa. Rótulos dos vinhos que não bebemos, histórias de infância que não compartilhamos, telefonemas interrompidos e pastilhas para dor de garganta. Sinto sua falta, mas a tristeza é tão maior. Hoje chorei no meio da rua, como não fez a mocinha da música do Vanzolini. Vim andando, chorando, alarmando os moradores pacatos deste bairro surreal. Decidi com quem me é mais cara e próxima que vamos trabalhar com colagens, uma forma bonitinha e bem-humorada de colar pedaços dolorosos, quase invisíveis de tão dolorosos, quase azuis de tão dolorosos, de tanto que queimam e trepidam e levitam e suspendem.

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Ainda é manhã de terça-feira, Batman.

Alguma coisa tem me incomodado profundamente. Nem estou falando do Brasil, porque o Brasil e eu desistimos um do outro faz tanto tempo. Num universo minúsculo, caseiro, pessoal e absolutamente limitado, tenho me sentido incomodada. Como se a gola da vida raspasse em meu pescoço. Meu blog. Meu blog tem me incomodado profundamente. As coisas que digo me incomodam. As escolhas que fiz. Que faço. Seu nome na boca de pessoas que eu nem gosto tanto assim? Me incomoda demais. Os horários. Os horários me incomodam. As mudanças. Alterações. A enorme quantidade de coisas em que devo me concentrar me incomoda muitíssimo. Não enxergar o essencial? Ah, incomoda sim. Velhos refrões, jargões e frases cretinas de propagandas dos anos 1990 me incomodam como se fossem moscas azuladas nojentas. Não me lembrar quando foi a última vez que nos vimos me incomoda demais. Quase certeza de que foi na casa dos amigos. Foi? Eu não me lembro. As coisas que não mudam me incomodam tanto quanto as que mudam. O momento da revelação. Amizades terceirizadas. O lacre da garrafa de leite. As garantias, a falta delas. Os vasinhos novos dos cactus. A inclusão dos outros na história. Os barquinhos. Palavras que não são minhas me deixam sem voz. Ando triste e cansada E sem voz. E incomodada.

Tanta gente gravou essa canção. Pra citar alguns, The meters, Johnny Cash, D. Brown, Keith Urban, Cassandra Wilson, W. Hutch, Kool &The Gang, Smokey Robinson and the Miracles Ray Charles, Andy Williams King Harvest e até o Ray Conniff, pelamor. Bom. O que o Conniff não gravou?

Mas minha versão preferida é essa, para todo o sempre. Com o Campbell.

and I need you more than want you

and I want you for all time

Isso é triste e lindo. E não tem solução.

Domingo Caderninho

Gata na prateleira, aguinha de laranja, um olho na Ana, outro na Suzi, série de zumbi-engraçadinho rolando na tevê, trabalhando.
Existem domingos melhores, eu sei, mas já tive domingos bem piores.
Bem mesmo.


#DropsdaFal_DomingoCaderninho

Um Coltrane da Flavia Penido, uma Maliu esotérica numa república morta

Achei um “menta-alecrim” bão de substituir o Bulgari de limão que não fabricam mais. Não que eu fosse ter grana prum Bulgari a essa altura da minha assustadora vida financeira, mas né.

Enfim, ganhei um vidro da minha educadíssima anfitriã e agradeci porque também sou algo educada, mas sem esperança em meu coração calejado pela dor e saudade de meu amado Bulgari Vert. Porém, contudo, todavia, eis que com garbo e elegância ranco a tampa e, voilà, é um cítrico muitíssimo digno. Eita Granado que não nos falha.

*

Aquele amigo que vai embora sem se despedir. Não somos (ou, pelo menos, eu não sou, malandragem) dignos da despedida, da atenção, do gesto, da delicadeza do “Meu bem, chegou a hora, adeus”.

“Já bebi, já comi, quiéquieu tou fazendo aqui?”, nos ensinava a declamar o nosso bárbaro pai ante o olhar horrorizado de nossa mãe, a grega.

Num determinado momento da noite, você olha em volta e quedê o amigo, o motivo – não raras vezes – de você estar ali naquela balbúrdia (olááááá, desgoverno brasileiro), cercada de gente que você gosta-mais-ou-menos (bem feito), de rímel, cinta, sutião MASP e, Deus que me perdoe, corretivo.

Sim, ele foi embora e inda te restam horas de socialização. Graçadeus que egípcios e mesopotâmicos e os caras espertos que vieram antes deles inventaram o álcool.

Me lembrei disso porque esse sábado tive a oportunidade de ver uma moça – que nao é minha amiga, só conhecida de olás – passar por isso. Dessa vez, eu era a balbúrdia, o povaréu, as gentes de quem ela não gosta, o pano de fundo que justificou que ela enfrentasse spandex, salto e sombra com glitter para se encontrar – com o coração aos pulos – com um lamentável e emasculado primata. Me vi de fora da cena e doeu para caráleo, torcida brasileira. Ele chegou, foi simpático com ela por bem uns douuuze segundos, se afastou, circulou por umas cinco rodinhas de parvos e zás, foi-se, desaparecido no éter. E eu, na encolha, covardemente testemunhei o e-x-a-t-o momento em que ela se deu conta de que ele tinha ido embora sem se despedir. Protagonizei a mesma patetice umas duas ou três vezes em bares d’outrora, quero acreditar que para nunca mais. Se ela reclamar com ele amanhã (cabe aqui um imenso “se”, além da nossa proverbial covardia, realmente cremos não ter esse direito), ele vai dizer que a. foi distração b. não queria incomodá-la, ela parecia tão feliz com os outros amigos c. ele teve uma semana infernal, blablablá, estilo “filha, você teve sorte de eu ter aparecido”.

Não confirmo e não nego que umas lagriminhas me assombraram quando vi a cena. Eu devia ter sido uma pessoa melhor, ido até ela e dito alguma coisa do tipo “Querida, é um covarde, parta para outra, ou, se você estiver na mesma situação que eu, para nenhuma”, mas já contei que sou uma covarde. Catei minha linda (linda, linda) bolsa, acenei pro meu amigo carona, um gesto sutil e doce e meigo e discreto que quer dizer mais ou menos “Vamos embora daqui, caralho” e, indo até ela, passei a mão em suas costas e disse: “Minha querida, preciso voltar para São Paulo, mas não podia ir sem me despedir” – porque posso não ser boa, mas não fui criada por lobos.

Identificação, sua danadinha.

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A Flavia Penido ensinou a fazer download do Coltrane e agora preciso urgentemente que Leandro&Leonardo arrume meu celular preu entupir minha Barbie Fada com o som do velho. Não quero mais ouvir tracousa.

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Alexandre adorava Djavan. Como é que pode, né gente? Um homem culto daqueles? Poeta maravilhoso, ouvido absoluto, cheio de delicadezas. E adorava Djavan, meu Deus do céu. De quando em vez, a Verô e eu paramos para nos lembrar disso, para nos abraçar e rir da cara dele. Djavan, puta que pariu.

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O frio voltou. Sequer tenho palavras para agradecer pelo momento. Estou usando duas meias em cada pé, calça de lã e camisa de lenhador. Camisa xadrez, em mulheres da minha feiura, costuma ser um atentado estético, mas no inverno, podemos. No inverno e na casa vazia, evidentemente.

Bebo chá mate morno com leite, vestida como uma mendiga e feliz como uma… o que é feliz, ainda, neste mundo horrendo? Bem, seja lá o que for, neste frio sou feliz como essa coisa feliz que desconheço.

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A república acabou. Minha mãe me perguntou quando cheguei se podemos chamar de ditadura ou se inda tem algum protocolo a ser seguido antes da liberação do termo. Ela enfrentou uma. Foi espancada e quase morreu.

Maliu reconhece cada sinal e tem cantado antecipadamente cada passo dessa gente escrota com semanas de antecedência. Chegada fosse a uma picaretagem, podia abrir um express do “Mãe Maliu: presente, passado e futuro” e ganhar uma grana com seus poderes premonitórios.

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A casa tem dado de dez a zero em mim e não é de hoje. Impraticável chamar gente aqui pura e simplesmente porque não dou conta. De gente, da casa, de mim. Aprender a desamar aos cinquenta, senhores, é coisa que não recomendo. Sofremos mais do que adolescentes e não temos ninguém para preparar nosso jantar.

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Tenho uma médica daquelas chegadas à sinceridade. Ela me aconselhou a fazer planos de oito meses no máximo. E eu adoro gente assim, que chega e “Pá!”. Ao menos quando dentro dum consultório.

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Curto a segunda temporada de Trapped com moderação que é para fazer durar. No intervalo vi Case, excelente e que, ora, tinha escapado do meu radar.

Querido diário Querida Dani

Querida minha: 20 de maio. O frio chegou, mas nem tão convicto. A alergia misteriosa vai e vem. Como o seu, meu corpo também está tentando se livrar de alguma coisa. Acho que é de mim. Continuo tristonha. Amiga tá meio estranha e eu, com a minha sensibilidade nula, não sei se ela está gentilmente me dizendo que nao quer mais ser minha miga. Odeio não entender sinais. Que bom que a discussão sobre Kafka foi boa, de verdade. Tou que nem você, sem paciência, sem coragem e, Deus por minha testemunha, sem condição nem de brigar. Sim, tou um cado mais ativa no grupo. Longe do ideal, mas é o que tenho dado conta. No tuinto também. Opa, pausa pra eu reclamar: todo dia o caminhão do reciclado passa tardão. Hoje que eu enrolei, ele tá passando nesse instante. Como meu joelho direito (que se chama Herodes) e eu não daremos conta de nos arrastar até o portão em tempo, reclamo aqui com você. Tá. Voltando. Pessoas, opiniões, gentes, você sabe. E apesar de ser um trator, eu não quero ser um trator. Quero ser uma pessoa doce e primaveril, quero sorrir, quero lançar gentilezas ao redor, quero ser querida. Mas como isso não passa de ilusão, refreio minha vontade de dar opinião sobre tudo. Menos no Drops, porque é para isso que ele existe e aqui, porque essa é a sua cruz, hahahaha. E sobre a endorfina: ela é uma danadinha 🙂 Falta muito para o Natal?

Joelho, uma nova turma e a fronha azul em: querido diário

Inventei novas personagens, uma outra turma. Falta registrar e depois enlouquecer a pobre da Suzi com meus desenhos lamentáveis.

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Tenho aconselhado – com ar seríssimo e voz de óculos-na-ponta-do-nariz, que as pessoas façam diários, anotações diárias da própria vida, que registrem, registrem. Devo seguir meu próprio conselho, portanto, mas ui que a vida é um sem-fim de chatices e coisiquitas e aiaiais e o dia passa e o caderno não é aberto e sinto vergonha de mim mesma.

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Uma casa, falando em detalhes, chatices e sem-fins, é um não acabar de bagunças e coisas-não-feitas e banheiros que precisam de reforma e camas que depois, só depois, da troca de lençol descobre-se: uma fronha sumiu. Uma. A cama ali, linda e combinante e uma maldita fronha desapareceu. E não há a quem culpar além de você.

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A pessoa não dá um centímetro de satisfação e finge, com graça, que está fazendo um favor a você quando escuta um “e aí, meu bem?”.

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Não vai ter uma sexta temporada de Z Nation e eu lamento demais. O fim da 5ª tempô ficou uma chatice.

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Joelho, essa coisa frágil e tola, está dando defeitos inimagináveis.

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Programas de decoração. Que vício, que vício.