Domingo-caderninho

Desenhos em papeizinhos vários, citações do blog da Nepomuceno, mandados de busca e apreensão emocional, listas de nomes para a narradora, uma palavra pro Paulo Candido me explicar, instruções complicadas que jamais seguirei, quadradinhos coloridos com lembretes perdidos, a da canção para o Maycon, sua última frase delicada para mim, anotações de aniversário, manchas arredondadas de muitos cafés com leite, linques das imagens que você seleciona, a receita da torta perfeita pra Fabi. Um domingo, um caderninho, uma (hahaha) taça de vinho.

Dura na queda

Eu me lembro vagamente do meu vestido vermelho, da sua gravata verde e bordô, do vinho, das mãos, dum perfume delicioso de amaciante de roupa que não sei do da sua camisa ou do fundo do meu cérebro.

Eu me lembro da luz transformando o cristal das taças, eu me lembro do banco de trás do táxi, eu me lembro da ressaca no dia seguinte, do meu chefe na época colocando um vidro de Bufferin sobre a minha mesinha, que ficava debaixo da escada (tive meus dias de Rerispótis, claro), preocupado porque segundo ele “dor de cabeça se resolve, coração partido dura pra sempre, mesmo depois que a dor passa”. Era um bom chefe e um cara muito sabido.

Lembrei de tudo isso porque você não foi meu primeiro coração partido. Pobre criatura estúpida que sou, já sofri assim outras vezes. Bem, não assim, assim, mas, oras, assim.

Jamais deux sans trois, me dizia um amante de muito tempo (e que não, não partiu meu coração) e ele tinha razão. Não há mesmo dois sem três, você, meu terceiro coração partido.

Vamos esperar que este seja a última vez porque sinceramente não tenho mais colágeno para sofrer desse jeito. Apesar de continuar dura na queda para as ressacas.

Domingo-caderninho

Letras, ideias, suspiros, um golpe bem dado, fotos perdidas, uma ideia que não tinha mesmo como dar certo, a grade vermelha, a espera dos dias, outro golpe, um apelido secreto, torta de limão da padaria, caneta verde, golpe, golpe, golpe, desvio do golpe, golpe.