A volta triunfal da nossa proverbial mulher pelada das segundas-feiras

Foto de Henry B. Goodwin , 1920
Não sei o nome da modelo 😦

Vim só para dizer que a semana começou. E, com ela, volta a nossa proverbial mulher pelada das segundas-feiras.

Tem nada melhor do que ser dono do próprio site, seus lindos.

Bão, pelo menos até o WordPress resolver ser idiota também, feito o finado Tumblr.

Daí veremos pronde vamos levar nossos mamilos vintage.

Por ora, aqui estamos. 🙂

Livros ensopados, soluços, o Stra e a onipresente Salmaso

Né nada modesto isso que vou fazer. Mas eu tava tão triste. Nem sei mais o que é tristeza, o que é cansaço a essa altura de um domingo de trabalho pesado – e nada agradável. Joguei metade da casa fora, não porque sou desapegada de bens materiais e sim porque a chuva me obrigou (Oi, chuva, te amo, mas né, vai se danar).

E daí, fui ler emeinhos acumulados e tava lá o Stra. Sendo incrivelmente gentil com uma senhorinha cansada e meio solucenta.

Então é isso. Pedi autorização, ele deixou. Boto aqui o mais incrível dos elogios. Feito por um amigo de infância, esse caras que elogiam a gente para muito além do que a gente é ou é capaz, mas né, a gente deixa, porque está triste e cansada e é bom de ouvir e, por um segundo, acreditar .


“Que lindo link com o final do show do Lobo, Fal! Que lindo a música, a idade de todos (inclusive a nossa), a beleza da Salmaso (que linda que ela está! envelheceu embelezando, a cafa!).
Enquanto ouvia a música, embasbacado com a voz da Monica (como todas as vezes que a ouço), me veio a explicação do universo. Que tem a ver com uma queixa que ia fazer a ti, depois de ver seu site novo. Mas aí fui no Edu Lobo e tudo ficou claro.
A queixa que eu ia dizer era que não eres só escritora. Eres cantora e sabes disso e eu sei disso, e tenho toneladas de horas na vida e (ainda) na memória que comprovam isso. Tinha uma fita cassete sua que comprovava isso, mas sabes né? Tudo físico meu se perdeu por aí, inclusive meu corpitcho.
Mas voltando, ao ver teu link e Salmaso cantando, entendi tudo.
Porque eres uma artista completa, daquelas que nasceram pra ser artista, de circo, de róliud, da globo. Isso deverias dizer no teu site novo, quando em terceira pessoa tipo Pelé, dizes quem és. Eu tascava: artista. Mas entendo que soa raro, como se diz aqui. 
E em algum momento, ouvindo e vendo a Salmaso, tudo ficou claro pra mim. O universo te deu tudo pra ser a artista plena de todas as artes. E em algum momento tu disseste que cantora não. Sei lá porque e nem quero entrar nisso. Terás teus motivos e os respeito. Mas quando disseste isso pro universo, ele respondeu. “Ok, fellows, pois os tasco uma Monica Salmaso, que é igual de bom e o universo (eu mesmo, veja só), não posso ficar sem a musicalidade afinada e sentida dessas duas que são uma só.”
Então Salmaso surgiu no seu vácuo, porque tudo que existe precisa acontecer. E aconteceu a Monica cantora e a Fal escritora. E agora tudo fica claro e não preciso fazer a reclamação. Eres cantora, mas isso está em Monica. 
Um dia perguntaremos se o lado escritora da Monica gerou a Fal. Mas isso fica pra outro dia.
bj saudoso de dar abraço de 30 segundos.

Marcelo Estraviz

FELIZ ANIVERSÁRIO, DROPS!!



Hoje o Drops faz 17 anos e está de parabéns!
A alegria é tamanha que todos que comentarem no site, em qualquer post ou página, de ontem até a meia-noite de hoje, vão ganhar, por e-mail ou whatsapp, um destes cartazes comemorativos de 21x29cm em alta resolução, prontos para impressão.
Deixe seu recado e escolha seu mimo!

Si todo cambia

Há muito tempo, tive um amante que me ensinou com palavras e na prática: não existe amor sem ressentimento.

Amar, por mais maravilhoso e transformador que seja, cobra um preço. Nunca insignificante. Nunca em apenas uma prestação. Nunca sem juros e correção monetária e não, não aceitam esse cartão.

O Drops é meu amor. Meu grande amor.

Não vou explicar o que é um blog, todo mundo já sabe. Nem vou discutir se é possível fazer literatura em blog. Participei de uma jornada literária há quase vinte anos, na mesma mesa que os enormes Alexandre Inagaki e Idelber Avelar (eles, uns monstros da blogosfera, eu, um café-com-leite-babão) e já naquele tempo afirmávamos: o que se faz em blogs é literatura. O tempo, esse lindo, só nos deu razão.

Sigo no Drops, há dezessete anos, fazendo literatura. Boa literatura. Consistente, cuidada, boa mesmo. Hahahaha, não vou bancar a sonsa, adoro o que escrevo, pelamor. Produzo aqui no Drops a literatura que sei e posso produzir, a literatura que amo. E faço amigos. E aprendo coisas, e leio coisas novas que me chegam nessa prainha, há tantos, tantos anos.

Vou dizer: amo esse pedaço de chão. Adoro vir aqui. Seja lá onde “aqui” for. Passamos, Drops e eu, por mais mudanças e solavancos do que é humanamente possível explicar. Ele nunca falhou. Nunca titubeou, nunca hesitou.

Eu, às vezes, empaquei. E hei de empacar de novo e de novo no futuro. Errei, me perdi, esqueci a senha, taquei longe os dicionários. O Drops, nunca. Ele nunca falhou. Nunca deixou de estar.

Redes sociais vêm e vão, jornais, partidos, condomínios blogueiros, modinhas, coletivos de textos, todos esses trens passam e passam.

O Drops está aqui. O Drops não vai a lugar nenhum.

Temos fotos, turma. E canecas, e desenhos, revista com artigos dos queridos, sacolas, quadrinhos e folhetim assinado por convidada especial (em breve, aguardem), fotonovelas em portunhol (em breve, aguardem, de novo). Temos musiquinha (MUSIQUINHAAAAAA) e linques para outras casas lindas – fiquem de olho nessa barrinha lateral porque ela vai ser uma riqueza. E temos comentários em todos os posts! Sim, sim, falem comigo!

Mas antes de qualquer outra cousa, temos textos. Textos, sei que vocês se lembram. Textos.

E, ah, temos vida, temos vida, temos vida. Estamos atentos, fortões pra cacete e, como sempre, desbocados. Estamos firmes. Pode não parecer, porque essa vida nos quer de joelhos, mas estamos firmes. A cada dia, a cada instante. Firmes, firmes.

Vamos produzir. Vamos ser autorais. Vamos vamos colocar em palavras, vamos relembrar, afofar, destruir, definir, esquecer, confundir, avaliar, julgar, atacar e perdoar, vamos dar forma aos pensamentos e aos desejos e aos anseios e aos quereres.

Se havia ressentimento, nós o superamos.

E escrevemos, todos os dias, sempre, sempre, caneta tinteiro em punho, mãos manchadas de azul, municiados com teclados afiados, monitores radioativos, livrão de citações do Paulo Rónai, canetinhas de flamingo e cadernetas que a Telinha compra para nós na Casa Cruz.

Nossos corretores ortográficos em riste, chispas nos olhos, fúria no coração.

Ergamos o rosto para receber o vento e sigamos em frente.

Uma palavra de cada vez.

O Drops, como Minas, está onde sempre esteve. Ainda que o endereço, ali na barrinha de navegação, às vezes precise ser atualizado.

Vem cá, meu bem.

Faça um pé descalçar o outro, acomode-se com um gato no colo – tenho vários, pode escolher –, apanhe uma taça, dê um abraço na Suzi Márcia (ela merece todos os abraços) e brinde comigo pela vida: a sua, a minha, a do Drops.

Cent’anni.

Que vivamos cem anos.

Todos nós.

Alguns fatos sobre mim

Por ora, ao que tudo indica, aquele negócio deu certo.

Sob o patrocínio de você-sabe-quem, esteve aqui o sr. Aldenor, fazendo justiça com as próprias mãos. O portão tá uma lindura.

Ouvi mais Chico Buarque do que permite a Convenção de Genebra, mas em minha defesa quero dizer que não está fácil.

Dei aula para a Cláudia hoje. Ela vai para o Japão.

Sentada no jipe – e com um delicado e estranhamente calmo Chico no colo – ouvi a chuva rugir.

Tomei chá de hortelã.

Arrumei várias gavetas e separei três enormes caixas de livro para doação. Fiz um envelope pra Maloca.

Passei algum tempo com a Priscila na interneta, ela xingando a conexão de lá, eu reclamando da minha. Não foi produtivo, mas é sempre bom estar com ela.

Dei vários conselhos bobos para o Char sobre como ele deve cuidar do gatinho que caiu no quintal. Evidentemente que, como velho comunista que é, ele batizou a pobre criaturinha de Josef. Não sei porque me dou ao trabalho de falar com essa gente. Planejo intervir na criação do pequeno antes que seja tarde demais.

Ganhei um rímel chique toda vida.

– A Suzi me ensinou que “rasteira é sempre de amigo, porque inimigo a gente não deixa fazer isso com a gente”, mas eu ainda fiquei triste. Me sinto bem idiota, sabe, e em vez de ficar com raiva, que é o que eu devia mesmo fazer, fico triste. Sou aquele patinho gigantesco e obeso que anda atrás dos patinhos pequenos e bonitos, implorando para que alguém brinque com ele. Acho que o nome dele era Huguinho.

– Passei um tempão on-line com o Paulo e pensamos em muitas listas do que temos a fazer. Ele vai procurar mundos outros e eu vou investigar velhinhos de monóculo. Nem pergunte.

– O cara da água veio entregar… água, você acertou. 

– A Dani me mandou foto da gata dela enroladinha e eu queria estar lá, na casa da Dani, com a gata da Dani e lendo as cousas que a Dani escreve.

– Sinto horrivelmente, horrivelmente, horrivelmente falta sua. 

(Você não acha que se a gente repetir “horrivelmente” três vezes, bem rápido, devia, sei lá, acontecer um feitiço, abrir uma fenda estranho-temporal e a gente ir pruma dimensão paralela e fazer o que quisesse para sempre? Sei lá, é só uma ideia, nem precisa responder).

Março de 2019

e

Alma bem mais iluminada do que a minha (não é preciso muito, como nós dois sabemos), já disse que o cara que filosofa demais na interneta é o cara que tomou um pé na bunda e não superou porra nenhuma. Sem confirmar ou negar que tomei um pé na bunda, eis que aqui estou mais-ou-menos filosofando, ainda que aparentemente posta em sossego.

Em menos de um mês, o Drops fará dezessete anos. Em vida de blog, isso é coisa pacas. Nestes quase dezessete anos estivemos em três endereços e, a qualquer minuto, vamos para o quarto. O quarto endereço, não, isso não é uma proposta. O Drops e eu desistimos de você.
Nestes dezessete anos, cultivei amigos e desafetinhos (ênfase no diminutivo, produção). Dei aulas e cursos, montei programas, fui socorrida e socorri, enfrentei bravamente mesas literárias (e ao meu lado, sempre, Janjão, minha síndrome de pânico), perdi meu marido, mudei de casa – como o Drops – três vezes, catei mais gatos na rua do que o senso comum recomenda, fui à falência não uma, mas duas vezes, traduzi livros lindos, publiquei cinco livros infernalmente bons (se você achou por um segundo sequer que eu ia falar mal dos meus livros, você enlouqueceu), escrevi artigos, resenhas e pareceres, sofri imensas decepções (gigantescas, abissais, mas, ei, quem nunca?), fiz e derrubei contas no Twitter, Linkedin, Insta, Orkut e Facebook, comecei uma newsletter, me apaixonei e desapaixonei e apaixonei de novo, fumei um monte de mentolados e tomei um monte de cacacolas (oi dr. Romeu, tudo bom?), larguei mão do tonalizante e abracei a causa da henna, roí unhas suficientes para construir uma represa, votei no Suplicy e no Adriano Diogo toda vez que tive chance, perdi meu cãozinho, minha gata gordona e mais um monte de amiguinhos queridos, parei de dirigir, mudei de ideia toneladas de vezes, perdi amigos em vida, fiz os melhores risotos do Brasil (do mundo, do universo sideral), li uns livros supimpas, aprendi a beber vinho, adotei outro cãozinho, fui rezada via Embratel pela Telinha, tomei café da manhã ao lado de pessoas sensacionais, fui a algumas exposições, deixei de ser professora particular, voltei a ser professora particular, aprendi a plantar coisas, repeti para elaborar, enterrei dois de meus melhores amigos, arrumei minha coleção de brincos, tomei rasteiras profissionais de assustar, cantei para amigos de outros cantos do mundo, mereci canções via celular, inventei Maximus e a turma dele, fiz contas, abri uma editora, recortei revistas, desenhei florinhas, estilhacei vidro, desintegrei papel, esmigalhei sonhos, botei uma cafeteria e um filtro no meu quarto-escritório, que chamo de Apart-hotel do conde Drácula, aliás, desenvolvi um léxico muito, muito particular, com palavras que agora o pessoal usa por aí e nem sabe que nasceram aqui.
E nesses dezessete anos, tive, fiz parte, construí e amei loucamente meu Drops.  
Quando paro para olhar, muita, muita coisa começou aqui. Amores, chiliques, projetos, uma esperancinha ou outra, planos mirabolantes, projetos de dominação mundial. 
Devo tudo, quase tudo, ao Drops, a essas palavras e imagens, a esse espaço, meu espaço, meu. De muitas formas, minha casa. 
Nalguma hora dessas, o Drops vai pruma casa nova. 
E vai continuar sendo a minha casa. 
E a sua, sua casa, se você quiser vir conosco.

Coisas melhores do que sexo. Ok, não “coisas”, coisa, uma coisa só, mas ainda assim, olha, é bem melhor do que sexo.

Fico aqui, faço umas coisas bonitas, traço planos dos quais só eu mesma quero saber, alimento o cão, checo os remédios de M. e seus horários impossíveis, escrevo só pra mim, desenho só pra mim, grampeio papéis, checo os números, faço as contas, gravo recados, desenvolvo loucas teorias, falo sozinha, falo com você. Falo sozinha, eu sei.

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Temos o ministro do Meio Ambiente que deveríamos mesmo ter. Nem mais, nem menos. Fizemos por merecer.

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“Ah, ela usa tanta maquiagem porque é tipo uma máscara que…”

Mano. Deixa a mulher em paz. Vai bater um bolo.

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Viúvas são criaturas que devem ser mantidas longe dos seres humanos normais e da sociedade funcional. Só vou dizer isso. Nós não servimos pro convívio.

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Uma mulher que diz “Você faz tanta falta por aqui”, quando deveria dizer “Foda-se, meu camarada”, precisa se aprumar urgentemente.

Graças à Santa Otávia do manequim 54, recado de whats não enviado.

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Água com gás sabor laranja. Não é sabor, é tipo “aromatizado laranja”. Mas sei lá, é maravilhoso. É melhor do que Sprite, é melhor do que cacacola. Achei o meu trem-diliça. Só não é melhor do que Fanta Uva, mas nem sexo é melhor do que Fanta Uva. Não quero ofender ninguém, mas de boa, nada é melhor do que Fanta Uva.

Mas como eu ia dizendo: aguinha sabor laranja é um trem maravilhoso.

Fevereiro de 2019