Domingo-caderninho

Livrinhos coloridos, cães estranhos, móveis a alguns centímetro do chão e plantas que desafiam as leis mais básicas da botânica: desenhos de um monstro que não sabe desenhar, duma vida improvável, dum alguém que não está.

Domingo-caderninho

Desenhos em papeizinhos vários, citações do blog da Nepomuceno, mandados de busca e apreensão emocional, listas de nomes para a narradora, uma palavra pro Paulo Candido me explicar, instruções complicadas que jamais seguirei, quadradinhos coloridos com lembretes perdidos, a da canção para o Maycon, sua última frase delicada para mim, anotações de aniversário, manchas arredondadas de muitos cafés com leite, linques das imagens que você seleciona, a receita da torta perfeita pra Fabi. Um domingo, um caderninho, uma (hahaha) taça de vinho.

Domingo-caderninho

Caderninhos cheios de memória (e fúria e som), da minha letra irregular, da chuva que o domingo promete, de vírgulas malucas, de parágrafos sem rumo, do seu apelido secreto que me tomaram, então inventei outro, mas agora não tenho coragem de usar, porque tudo mudou. Caderninhos que chegam ao fim e não acabam nunca, como tudo que sinto.

Domingo-caderninho

Caderninho gasto, uns rabiscos verdes, quadriculados, uma sequência de pensamentos (que, sinceramente, não servem para grande coisa), uma chuva, um pastel de ontem, suco de uva, série dublada na televisão.

Hoje é domingo e eu imagino as risadas, as fotos, a angústia fininha, os bares nessa Copa chuvosa e incerta, a vida e a decisão de ficar.

Quase chorei, mas Bolero precisa duma caminha. E o gato branco ainda não tomou remédio.

Quase chorei, mas, né, sabemos, você e eu, que não vai adiantar.

Domingo Caderninho

Gata na prateleira, aguinha de laranja, um olho na Ana, outro na Suzi, série de zumbi-engraçadinho rolando na tevê, trabalhando.
Existem domingos melhores, eu sei, mas já tive domingos bem piores.
Bem mesmo.


#DropsdaFal_DomingoCaderninho