Domingo-caderninho

Livrinhos coloridos, cães estranhos, móveis a alguns centímetro do chão e plantas que desafiam as leis mais básicas da botânica: desenhos de um monstro que não sabe desenhar, duma vida improvável, dum alguém que não está.

Domingo-caderninho

Uma voz de outra galáxia, unhas que se roem até sangrar, alô-alô, responde, o de sempre, o de sempre, suspiro, tudo bom?, tudo, o Brasil, o brasil, calma, segura, espera, respira, olhos abertos, fechados, abertos, sussurro, sopro, golpe, gole no vinho, calma, fala, não, não fala, espera, conta, ri, espera, ri de novo, interrompe a frase, fala, fala, despede, tchau, não fala, respira, o chefe da polícia não gosta de mim. Não de verdade.

#DomingoCaderninho

Sonhos duma domesticidade inalcançável, empadinhas, trabalho até tarde no domingo, filminho do Branagh, pão-com-manteiga (não, não tem hífen, mas deveria ter, viu), sangue no canto de cada unha roída, zero limpeza e arrumação. Nem domingo, nem caderninho, nem você, nem seus olhos estranhos, hoje foi só assim.

#DomingoCaderninho

Domingo-caderninho

Há aquelas anotações feitas na pressa, caneta de ponta grossa que, somadas à minha letra feia, em nada colaboram para o entendimento, sequências de palavras sem sentido, recados indecifráveis que falam de futuros (acho) obscuros (acho) e coisas dificílimas de resolver (acho). Há apontamentos que, olha, francamente. O povo sumério merece mais esforço de minha parte.