Domingo-caderninho 1
Keaton, turquesa – o mais belo dos nomes do azul, Guernica, Kusama, o foco que não há, a loba, as muitas e muitas coisas que não me importam, aquarela, café, café, e mais café, sombrinhas, um lugar que reconheço, flores que se parecem com bucetas, uma escadaria, as passagens do metrô, estruturas de metal, Ipanema, Arpoador e Leblon (lugares cujo nome reconheço, mas não sei bem como chegar lá), os vários problemas em envelhecer, Barata Ribeiro. No título do projeto de que não tomo parte, as intenções são conjugadas no futuro do pretérito composto do indicativo.

A newsletter do Drops está no ar. Para assinar: https://tinyletter.com/DropsdaFal
(em Apart-Hotel Do Conde Drácula)
h

Domingo-caderninho

Gata na prateleira, aguinha de laranja, um olho na Ana, outro na Suzi, série de zumbi-engaçadinho rolando na tevê, trabalhando. Existem domingos melhores, eu sei, mas já tive domingos bem piores. Bem mesmo.

*

A paixão longa e sofrida é substituída por uma amizade sem graça e vã, do tipo em que o silêncio se faz não por excesso de intimidade, mas por total falta do que dizer. E qualquer comentário idiota, megalômano, babaca e descuidado faz você chorar até ficar sem respiração.

Não recomendo.

*

Chuva, finalmente. O Brócolis não via chuva há muito tempo. Espero que esfrie, espero que melhore, espero que exista. Espero existir.

*

Saber que existem opções. Talvez você não possa elegê-las, talvez não queira tomá-las, talvez nem lhe sirvam. Mas estão lá as opções. Fui lembrada disso agora à tarde, em meio a um trabalho insano. Há opções.

*

Fui chama de “querida”, “amiga querida” e “querida amiga” na mesma semana. Evidentemente eu mereço.

*


Durante a semana, tirei do lugar uma prateleira e seus respectivos livros, que não saíam dali há onze anos e pouco. Tudo bem, um livro ou outro de quando em vez sai dali e depois volta, mas não todos, não ao mesmo tempo. Um pó cinzento e espesso se gruda aos muitos panos molhados que foram necessários para limpá-la. Dez anos de poeira e poluição. O dia que essa prateleira foi posta no lugar, dois ou três dias antes de eu me mudar para cá, foi o dia em que arrumei ali meus livros. Minha vida tinha mudado enormemente e eu arrumei ali livros, um ao lado do outro, como se estivesse tudo tranquilo e eu soubesse exatamente o que fazia. A vida muda de novo agora e inda não sei o que estou fazendo.

*

“Caso você se esqueça, olhe pela janela”, acaba de dizer minha amiga mais sábia.

Um Saturno definitivo

Bancos de imagens, a tinta na pele dos outros, ideias vagas,
velhas gravuras, rascunhos, “Fulano tem o braço fechado, pede a ele uma opinião”, antigas fixações. Roubei até um gatinho da Iara. E a conclusão é sempre a mesma, a única coisa que posso suportar em mim é você.

#domingo-caderninho