Diário de um mundo que acabou: novas gírias para um velho monstro, calor, calor, calor, filmes doidos e mais calor

Paulo Candido: O coloquial de gosthing em português é “dar um perdido”.

Fabia Vitiello: eu manjo, fazem muito comigo.

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Noite dos lobos está na minha lista “Lista de filmes loucos pra cacete”, junto com O décimo homem. Ambos estão na lista de coisas que não assistimos juntos mas, primeiro, olha, ele precisa estar na lista de coisas malucas. Pelamor. Adorei, bicho, que filme doido.

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Lido com o calor trabalhando debaixo de dois ventiladores e entrando no chuveiro muitas, muitas vezes por dia. Hoje foram seis. Só uso sabonete no primeiro banho da manhã e no último do dia, antes de dormir. O resto do tempo é só água gelada mesmo, porque sabonete demais vai magoar minha pele tanto quanto as brotoejas que o calor causa. O lance é que tenho a pele muito, muito fina. Fina demais. Tudo me magoa. Entenda como quiser.

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Brahms faz algo por nós que, acho, ninguém, nada mais faz. Talvez a maconha. Ele nos restaura a alma. Ele identifica o dano, como um maldito nano robô, vai até onde está a ferida e a conserta. A dor não para, mas, de alguma forma, sabemos que não vai infeccionar. Por conta de um trabalho que acabou, voltei a ouvi-lo e é sempre como se fosse a primeira vez.

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São 6h29 no momento em que escrevo e o calor está insuportável. Às três da tarde, estarei resmungando e gemendo. Fiquem ligadinhos no canal.

Diário de um mundo que acabou: trabalho para o Paulo, enxaqueca das estrelas, asilo, viscose estampada, eu nunca cozinhei para você

No grupo de mulheres absolutamente lindas e chiques do qual participo atuando como um mascote esquisito, informam que a Alemanha proibiu entrada de brasileiros por lá, pelo menos até 17 de fevereiro. Achei foi pouco. Brasileiros têm de ser proibidos em todos os lugares, até no Brasil. Principalmente no Brasil. Como um filme de apocalipse de quinta categoria, os brasileiros sobreviventes seriam postos num navio sem autorização para atracar em qualquer lugar que fosse. E os que pulassem ao mar seriam arpoados por mercenários a soldo do Greenpeace.

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Vendo um filme bobo, me dei conta de que nunca cozinhei para você. Sequer uma vez. E dei uma fungadela, como se nunca ter cozinhado para você fosse um problema de verdade. Como se você, por um segundo que fosse, se importasse. Vai ser ridícula assim nem sei onde, minha querida.

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Sobre a sua égide”. Domingo à noite. Paro de trabalhar para roubar suco. É bem feito para mim. Eu mereço mesmo ouvir um ministro imbecil, mais um ministro imbecil deste governo. Imbecil.

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Se tem uma cousa que The walking dead nos ensinou é que se ocasião houver para matar o vilão, MATA LOGO ESSA CARALHA, PELAMORDEDEUS.

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Tenho certeza de que no Manual Geral do Comitê Internacional de Doenças Mentais Galopantes e Sem Cura tem todo um capítulo dedicado às pessoas viciadíssimas em comprar tecido.

Minha Santa Regislaine do Manequim 56, livrai-nos da Viscose Estampada Em Promoção, amém,

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Quando o Drexler canta dame una noche de asilo ele quer só me fazer chorar (afinal de contas, só eu e meu coração em carne viva importamos) ou o quê?

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Tenho que enviar trabalho para o Paulo e sou a mais atrasada pessoa da face da terra: a) sim b) sim com certeza c) sim, absolutamente ou d) sim e o Paulão vai parar de falar comigo?

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Houve um gênio nesta Terra que juntou o queijo e a goiabada em apenas um pacotinho de amor e elevamos nossas mentes e corações em seu nome. A sua vida foi digna, meu camarada, minha camarada.

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A pessoa que toma sopa no café da manhã vendo o noticiário da tia Alzirinha com Maliu, não quer guerra com quase ninguém.

festa no apê

foto do 69º aniversário do tio Winston com Roosevelt e Stalin na turma — Teerã, 30 de novembro de 1943.

Rádio Drops:

Sé que tú no quieres ya jamás volver a estar cerca de mí

A intenção era me fazer parar de chorar e não levar a Luciana a. Mas, enfim, o luxo duma comentarista dessas.

“O jeito é eu deixar de te ler por um tempo porque OLHA, não é possível isso. São outros, devem ser outros, espero que sejam outros, os itens da minha lista, mas ela existe. Eu nunca tinha feito uma. Nem mesmo naqueles relacionamentos eternos. Eu não era pessoa que faz esse tipo de lista. Achava eu. Agora choro lendo seu post. Eu lavo com as lágrimas o desejo dessa vida depois do travessão. Mas a mancha é teimosa.

(eu não sei se pior ou melhor, eu vi. sei como foi. sei como poderia ser. sei o imenso desperdício de não ser)

Luciana Nepomuceno, nos comentários do Drops (e ela comenta em todos os posts <3 )

PS: não espero, não, que sejam diferentes os itens de nossa lista e sim que sua lista, Luciana, seja para outra, porque se estivermos fazendo lista para a mesma pessoa, tenho zero chances. (não que eu tenha qualquer chance de qualquer maneira)

Uma lista de coisas para ver com você

Tenho uma lista enorme, e um tanto patética, das coisas que gostaria de ter assistido com você, de músicas que ouviria com você. As canções, taco aqui e finjo que você vai ouvi-las em algum momento e que, ah, será quase como se ouvíssemos juntos. Filmes, animações, séries e documentários são longos, duram demais, não são o mesmo que canções. Les triplettes de Belleville é apenas uma das peças que eu adoraria que assistíssemos juntos. numa outra vida – aquela em que ligo para você quando alguma coisa incrível acontece e você me atende e fala comigo sorrido por um tempão. Gostaria de me sentar no chão, cabeça apoiada no sofá e ver essa peça incrível e tocante com você. Nunca assistimos coisa alguma juntos, se você parar para pensar. Jamais assistiremos. Vamos, às vezes, quando eu ceder e, merda, responder alguma coisa, comentar o “ah, eu vi” “ah, que legal”. Mas assistir juntos? Nunca. Então sigo com a minha lista – retiro o “um tanto”, ela é muito patética – jamais ticada. Ela aumenta e diminui e se desdobra e inclui subitens dentro de subitens ad infinitum. Eu a assisto só, a minha lista de coisas para ver com você, como quase tudo o que faço, pulando de item em item, adorando quase tudo, desejando ser capaz de escrever assim e, quando tenho muita sorte, sem sua cara barbuda atrapalhando o entendimento dos diálogos.

Vem cá, meu bem

Repetir para Elaborar

Reclames do Drops

Rádio Drops

Piu Piu


Alteramos a data por uma questão de agenda, mas continua valendo:
"As aventuras de Gattai nos anos 1920 de Alcântara Machado: paralelepípedos, leiteiros de carroça, fonfons e construção de memória."
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