Mudar, verbo que transita

Horas depois de meu marido morrer nas minhas mãos, a vizinha, que tinha perdido o marido há poucos meses da mesmíssima maneira, atravessou o saguão que nos separava para unir suas mãos às minhas e me dizer “A vida da gente muda em um segundo”.

Muda.

Muda sim.

As mudanças demoram eras e eras para acontecer, mas, quando acontecem, são coisas de mili-nano-segundos (os hífens são meus e eu faço o que quiser deles).

Mudar para não mudar é um clichê e há um motivo para isso: é a mais pura verdade.

Ao longo de tantos anos, quase duas décadas, o Drops – e eu – nos movimentamos. Mudamos de jeito, de cara, de logo, de estilo. De endereço. De estado civil. Quisemos uma coisa, depois outra. Tentamos desse jeito e daquele. Amamos aqui e ali. Amamos errado. Amamos certo. Nossa voz, quase a mesma, mas nossos cabelos, quanta diferença. Durante esses anos, contamos com amigos e mais amigos. Com leitores gentis. Com a sorte. Ah, nós demos tanta sorte. Tanta.

O Drops se movimenta, mais uma vez. Eu me movimento, mais uma vez. Aceitamos o que não podemos mudar. Bom, tentamos aceitar. E mudamos – furiosamente, eu diria – tudo o que conseguimos mudar.

Vamos mudar, portanto. De cara, de jeito, de estilo. O endereço continua o mesmo, porque não vamos mudar. É confuso, eu sei, as mudanças geralmente são.

A grande diferença dessa mudança é que não vou só.

O Drops da Fal cresceu demais, demais e não é mais empreitada para um lobo solitário. A Suzi Márcia está comigo, está no Drops e para o Drops, emprestando seu talento, sua imensa capacidade de trabalho, de força no empuxo e de rapidez de raciocínio não apenas à loja ou à editora, mas ao Drops. Todo, todo o Drops. A cada passo, letra, vírgula, caneca, suspiro. Ela tomou o Drops como dela e o Drops, esse Drops imenso, imenso, passa a ser o projeto de vida de duas mulheres. Passa a ser o principal objeto da atenção, do trabalho, do cuidado e do tempo de duas mulheres. Bem, bem. Duas mulheres e um monstro. Ah, sim, Maximus também está aqui.

É ainda preciso que eu diga: nada, nenhuma mudança, nenhum móvel se arrastaria sem essa graça, sem esse aconchego que se chama Guilda do Drops. Amigos de todas as partes e filosofias e olhares que, juntos, apoiam o Drops. Por amor. Por bem querer. Sou tão grata ao pessoal da Guilda. Sem cada uma dessas pessoas, o Drops não conseguiria dar um passo.

Então, vamos. Mudança. Mudança. Mudança.

Vamos seguir viagem.

O Drops não volta. O Drops não vai a lugar algum.

O Drops da Fal, o nosso Drops, volta já.

Fiquem firmes.

Amor, Fal.

3 comentários em “Mudar, verbo que transita”

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