Drops em Revista – Março – 2020

E D I T O R I A L

Não estamos contentes, é fato, mas, ora, por que motivo haveríamos de nos entristecer? Os mares da história são turbulentos.

As intimidações e os conflitos, havemos de atravessá-los, parti-los ao meio, dividindo-os como uma quilha cortando as ondas.

Maiakóvski

Todo o tempo, todos os dias, dentro, fora, para o bem e para o mal, há uma transformação à espreita. Fato que odiamos. Ah, odiamos isso. A transformação veio para mudar o que somos e temos, para levar quem amamos, para mudar quem amamos, para colocar quem amamos falando coisas cruéis no WhatsApp. Há uma transformação à espreita, sempre. Tudo à nossa volta depende de transformação. A imobilidade só traz morte e desgraça, qualquer filme de zumbi ensina: quem não se mexe, morre. Nossas transformações foram muitas e muitas ao longo das eras. De sapinhos sem pernas (biólogos, chama-se licença poética isso aí) à Tamara Taylor com roupa de rendinha, tudo foi transformação. Nossos corpos e forma de locomoção. A maneira como fazíamos guerra, a maneira como fazemos guerra. Nossa arte, nossa comida. Nossos padrões estéticos, nossa forma de plantar e colher. Não deixa de ser interessante observar, somos os caras que mais dependem da transformação, somos quem mais a odeia. Odiamos que mude a consistência de nossa pele (saudade, colágeno), nossas crias, endereços, certezas, exigências. Não costumamos perdoar ídolos que mudam. Filhas que cortam o cabelo ou que menstruam fazem, às vezes, mães e pais chorarem (“Você mudou!”). A mudança nos encanta e apavora. Queremos que tudo mude e, ao mesmo tempo, que permaneça. Para que nós mesmos possamos permanecer.

A vida, que é uma sacana e tem outros planos, discorda.

Ela quer que deixemos de permanecer, o tempo todo. A vida clama por incerteza, impermanência e abandono.

Na tentativa de estar – para além de outras cositas – inventamos a arte. O nós que fica quando nos formos. Ou melhor, que esperamos que fique.

Há muito o que dizer sobre arte e sua produção nos próximos e próximos meses e, não se aflija, faremos o melhor que pudermos para cobrir todos os flancos. Mas tenha em mente: o motor da arte, de qualquer movimento artísticos e de todos os artistas, é a mudança, é a transformação.

Esteja atento. A mudança vem. Isso é inquestionável.

Como lidamos com ela, é o que iremos ver.

Não há arte sem mudança, nem mudança sem transformação.

Um abraço, estamos de volta.

Fal Mutante de Azevedo

Esta publicação é possível graças aos apoiadores da Guilda do Drops.

Aqui você sabe do que se trata e, sabendo, quem sabe decide fazer parte deste grupo maravilhoso:

Gertrude Stein defronte ao retrato pintado por Picasso
Trabalho do cartunista canadense Ygreck
https://www.instagram.com/ygreck/

Rue de Fleurus, 27

por Suzi Márcia Castelani

Quando a nudez se desvela

por Pedro Eloi Rech


Charge do cartunista holandês Ruben Oppenheimer
https://www.instagram.com/rloppenheimer/
Banquet of Amor and Psyche by Giulio Romano

O cartunista David Pope, do veículo australiano Canberra Times
https://www.instagram.com/david.pope.cartoons/

Um hino, uma ordem, um caminho

por Beatriz Outiz

Tupi, or not tupi

por Suzi Márcia Castelani

Ann Telnaes é editora de charges no jornal norte-americano The Washington Post
https://www.instagram.com/anntelnaes/

Aniversariantes de janeiro, fevereiro e março

Rádio Drops

Na Semana de 22, Villa-Lobos foi um dos compositores que teve obras interpretadas no palco (ao lado de Debussy e Satie). Villa reconhecia a força, mais ainda, a inevitabilidade da mudança e a abraçava com toda força que podia.

Expediente:
Editoras: Fal Vitiello de Azevedo e Suzi Márcia Castelani
Capa: Suzi Márcia Castelani
Colunistas: Fal Azevedo, Beatriz Ortis, Pedro Eloi Rech e Suzi Márcia Castelani