Diário de um mundo que acabou: O fim do mundo que nos detesta nem será tão grave evento

Entender-se como membro de zero grupos é graça que se alcança por meio da psicanálise.

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A conversa era sobre novela, assunto sobre o qual nunca posso opinar, porque nunca vi novela. Isso é sempre complicado, dizer que nunca viu novela a transforma imediatamente num ser humano odioso, reacionário que não ama o povo, suas manifestações culturais, que se sente superior, melhor do que os outros, elitista, babaca. Meu Deus. Enfim, todo mundo, todo mundo mesmo já tinha dado a opinião definitiva sobre novelas e daí, e daí, e daí, dei uma opinião bem babaca e elitista sobre novelas. Eu me sinto péssima até hoje quando penso nisso. Em minha defesa, eu era hóspede e MX foi convidada à minha revelia e aquilo me deixou absurdamente nervosa e irritada e infeliz. Muito infeliz. Espero nunca, nunca mais ter de me juntar àquele grupo de novo. Eles foram embora, eu me recolhi ao quarto emprestado e desejei a morte umas mil vezes. A minha, a dos outros. Detesto novelas.

Lembrei-me desta lamentável ocasião porque um site me pediu um texto sobre amores, roubadas e outras tristezas. Declinei do convite.

Eu poderia não ter ido. Poderia ter ligado para meus anfitriões e balbuciado uma desculpa. Mas voltei para a linda casa deles naquela noite e fiquei lá, com cara de idiota, vontade de chorar e dor de cabeça. Eu me entreguei, voluntariamente, à armadilha.

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