Horóscopo Drops do Dias das Mães

O filho de Áries é um incompreendido. Usa o pijama um dia do avesso outro do direito por uma questão de liberdade e menor esforço. Poupa energia para tarefas mais nobres, como videogames, por exemplo. É quase uma filosofia.

Filho de Virgem, quando a mãe chamar para almoçar, não vai na primeira chamada que é golpe. É para pôr a mesa.

O filho de Gêmeos é conectado com a natureza. Na necessidade de um despertador, ele compra um galo. E tendo a casa furtada, providencia um ganso. Glória do Greenpeace.

O filho de Aquário vira vegano de repente e daí liga pra mãe pra choramingar que tá com o freezer cheio de carneiro e leitão.

A filha de Câncer, depois de anos e anos de conselhos que diziam “não se case com ele, é roubada”, se casa, sim, com ele, entra na maior roubada e, depois de se separar, vira pra mãe e diz “POR QUE VOCÊ NÃO ME AVISOOOOOU?”.

O filho de Leão é acima de tudo, honesto. À meia noite de domingo liga do colégio interno a cobrar, claro, para a mãe, avisando: “Mãe, amanhã o diretor vai te ligar e, ó: fui eu.”

O filho de Capricórnio é narrador e crítico da direção da mãe.  “Por que essa pista?”, “Nossa, que devagar!”, “É assim que você usa o freio de mão?”. Cuidado, pois, se a mãe for de Peixes, periga você ser largado a dez quilômetros da escola numa manhã de inverno. Lei do retorno que chama.

O filho de Escorpião liga da faculdade a cobrar, claro, para a mãe e manda: “Mãe, a Marina tá grávida e arrumei um emprego de garçom pois a família dela quer que a gente case. E tranquei a matrícula. Mas fica feliz que são gêmeos!”. Enquanto o cérebro da mãe ainda processa as informações, o fedazunha grita: “Mentirrraaaa, mããeeee!! Tirei 1,5 em cálculo!!”.

O filho de Touro não liga no Natal, não liga no aniversário, não liga na Páscoa, não liga no Dia das Mães. Claro que o filho de Touro é o filhinho preferido.

O filho de Libra ao receber a polícia que foi acionada pelos vizinhos, às duas da manhã, temperatura dois graus, por som alto na festa da república, bate palmas devagar e berra pro oficial que entrou no carro e desligou o som: “Parabéns, sargento! O senhor sabia que não pode entrar num carro sem mandado?”.  A seguir, para a mãe, ligando da delegacia: “Meus direitos, você que me ensinou!”. Filho de Libra, na ditadura, não dura dez minutos.

A filha de Sagitário considera brigadeiro e Yakult doses únicas. Não peça uma mordida e um gole que ela não dá. Nem pra mãe.

O filho de Peixes tem amigos em todos os bairros da cidade e depois do treino promete carona para geral. No carro da mãe, com a mãe de motorista. Sem avisar, claro.

Domingo-caderninho

Gata na prateleira, aguinha de laranja, um olho na Ana, outro na Suzi, série de zumbi-engaçadinho rolando na tevê, trabalhando. Existem domingos melhores, eu sei, mas já tive domingos bem piores. Bem mesmo.

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A paixão longa e sofrida é substituída por uma amizade sem graça e vã, do tipo em que o silêncio se faz não por excesso de intimidade, mas por total falta do que dizer. E qualquer comentário idiota, megalômano, babaca e descuidado faz você chorar até ficar sem respiração.

Não recomendo.

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Chuva, finalmente. O Brócolis não via chuva há muito tempo. Espero que esfrie, espero que melhore, espero que exista. Espero existir.

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Saber que existem opções. Talvez você não possa elegê-las, talvez não queira tomá-las, talvez nem lhe sirvam. Mas estão lá as opções. Fui lembrada disso agora à tarde, em meio a um trabalho insano. Há opções.

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Fui chama de “querida”, “amiga querida” e “querida amiga” na mesma semana. Evidentemente eu mereço.

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Durante a semana, tirei do lugar uma prateleira e seus respectivos livros, que não saíam dali há onze anos e pouco. Tudo bem, um livro ou outro de quando em vez sai dali e depois volta, mas não todos, não ao mesmo tempo. Um pó cinzento e espesso se gruda aos muitos panos molhados que foram necessários para limpá-la. Dez anos de poeira e poluição. O dia que essa prateleira foi posta no lugar, dois ou três dias antes de eu me mudar para cá, foi o dia em que arrumei ali meus livros. Minha vida tinha mudado enormemente e eu arrumei ali livros, um ao lado do outro, como se estivesse tudo tranquilo e eu soubesse exatamente o que fazia. A vida muda de novo agora e inda não sei o que estou fazendo.

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“Caso você se esqueça, olhe pela janela”, acaba de dizer minha amiga mais sábia.

“O pequeno mundo blogueiro em debate
O Grande Mapa Dahmer da Blogosfera Brasileira foi especialmente desenhado para alimentar brigas por coisas pequenas”. Daqui.

No mapa original tinha os linques. Ainda tem, né, mas a maioria (ou todos?), dá em lugar algum.