Durante quatro semanas, a newsletter do Drops, Noticinhas do Drops, mandou para os assinantes esquemas enxutos de aula de redação para concursos e Enem. Foi uma nova experiência, num novo formato, dentro da news do Drops, que sempre foi mais literária e metida a diarinho.

Adoramos a disponibilidade de vocês, o acolhimento de escritores experientes como a Vera Guimarães, o olhar querido com que vocês se dispuseram a receber essa nossa invenção e as indicações muitas, que nos trouxeram um monte de novos assinantes.

Foi divertido e outras viagenzinhas virão.

A última newsletter dessa sequência era um presente e a querida Renata Lins, a leitora mais rápida do Velho Oeste, levou. 🙂

Obrigada a todo mundo pelo carinho.

Quarta-feira a newsletter do Drops alcança vocês de novo.

Quem quiser assinar, vem cá: https://tinyletter.com/DropsdaFal

Fal&Suzi

Análise das Capas – Fal Azevedo – Um estudo de caso

por Suzi Márcia Castelani

Por ocasião do lançamento do livro Todo Mundo Adora Saturno, indagada se a Fal estaria transmutando para a poesia minha resposta foi que na minha concepção a única transmutação que a Fal estaria operando seria a sexual mesmo.

Acompanhem pois é científica a coisa.

Considerando que o nome Fal transcende questões de gênero, a escritora cansou de ser rotulada como mulher e ter sua obra confinada a um gueto dito literatura feminina e está se preparando para alçar voos maiores.

Basta uma análise breve e superficial das capas dos seus últimos livros, a partir de Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite, que já percebemos ali uma ânsia evolutiva, um fervor contido, o desejo de transmudar-se adiado pelo meão cotidiano representado pela sempre presente figura da caneca de café.

Já no Minúsculos ela lá está, ao pé da capa, uma velha e carcomida caneca de ágata tombada e vazia. É a escritora demonstrando sua insatisfação com amarras sociais assaz limitantes e, na ausência de balde, tomba a caneca.

No Sonhei Que A Neve Fervia a prosaica caneca já centraliza a capa mas o primeiro verbo e as cores diáfanas da arte já nos remete a uma realidade quase etérea, sugerindo que a escritora iniciou sua jornada de transmutação, senão corpórea, pelo menos já no uso de substâncias.


Quando então ela chega em Todo Mundo Adora Saturno, a caneca está em negativo, evaporando amor pelo universo e, do espaço, livre de amarras, solta no mundo como quem acaba de tirar o sutiã, a sua linguagem só pode ser em verso.

Versos livres de quem tem voz de algodão doce e eleva a palavra à categoria do sagrado. A prosa da Fal sempre guardou cadência, conteúdo e ritmo. Mesmo que fosse pra dar bom dia. Portanto, a Fal não transmudou para a poesia. Pois não há como mudar-se para um lugar do qual você nunca saiu.

E vocês? Têm uma análise de alguma obra da Fal sob qualquer aspecto?

Compartilha com a gente!

Drops em Revista

O lançamento da revista seria essa semana.
Mas dia 30, quinta feira, teremos as manifestações e a internet inteira só vai falar disso.
E queremos que a internet inteira só fale MESMO disso.
Aliás, nós também só iremos falar disso.
Então , fiquem com essa capa linda, que promete delícias de texto e costuma cumprir com o prometido e prepare a beberagem: domingo, dia 02, no café da manhã, TEM!

https://dropsdafal.com.br/drops-em-revista/

Querido diário Querida Dani

Querida minha: 20 de maio. O frio chegou, mas nem tão convicto. A alergia misteriosa vai e vem. Como o seu, meu corpo também está tentando se livrar de alguma coisa. Acho que é de mim. Continuo tristonha. Amiga tá meio estranha e eu, com a minha sensibilidade nula, não sei se ela está gentilmente me dizendo que nao quer mais ser minha miga. Odeio não entender sinais. Que bom que a discussão sobre Kafka foi boa, de verdade. Tou que nem você, sem paciência, sem coragem e, Deus por minha testemunha, sem condição nem de brigar. Sim, tou um cado mais ativa no grupo. Longe do ideal, mas é o que tenho dado conta. No tuinto também. Opa, pausa pra eu reclamar: todo dia o caminhão do reciclado passa tardão. Hoje que eu enrolei, ele tá passando nesse instante. Como meu joelho direito (que se chama Herodes) e eu não daremos conta de nos arrastar até o portão em tempo, reclamo aqui com você. Tá. Voltando. Pessoas, opiniões, gentes, você sabe. E apesar de ser um trator, eu não quero ser um trator. Quero ser uma pessoa doce e primaveril, quero sorrir, quero lançar gentilezas ao redor, quero ser querida. Mas como isso não passa de ilusão, refreio minha vontade de dar opinião sobre tudo. Menos no Drops, porque é para isso que ele existe e aqui, porque essa é a sua cruz, hahahaha. E sobre a endorfina: ela é uma danadinha 🙂 Falta muito para o Natal?

Joelho, uma nova turma e a fronha azul em: querido diário

Inventei novas personagens, uma outra turma. Falta registrar e depois enlouquecer a pobre da Suzi com meus desenhos lamentáveis.

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Tenho aconselhado – com ar seríssimo e voz de óculos-na-ponta-do-nariz, que as pessoas façam diários, anotações diárias da própria vida, que registrem, registrem. Devo seguir meu próprio conselho, portanto, mas ui que a vida é um sem-fim de chatices e coisiquitas e aiaiais e o dia passa e o caderno não é aberto e sinto vergonha de mim mesma.

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Uma casa, falando em detalhes, chatices e sem-fins, é um não acabar de bagunças e coisas-não-feitas e banheiros que precisam de reforma e camas que depois, só depois, da troca de lençol descobre-se: uma fronha sumiu. Uma. A cama ali, linda e combinante e uma maldita fronha desapareceu. E não há a quem culpar além de você.

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A pessoa não dá um centímetro de satisfação e finge, com graça, que está fazendo um favor a você quando escuta um “e aí, meu bem?”.

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Não vai ter uma sexta temporada de Z Nation e eu lamento demais. O fim da 5ª tempô ficou uma chatice.

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Joelho, essa coisa frágil e tola, está dando defeitos inimagináveis.

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Programas de decoração. Que vício, que vício.