foto de: Ferdinand Schmutzer, 1905 . Como sempre, desconhecemos o nome da modelo. Pra que saber o nome da mulher, né, gente. Se alguém souber, me ensina.




Bom dia, seus lindos.

Ela, sim, a semana, começou.

E nós, sim, você e eu, começamos também.

Vamos ver que surpresas o país governado pelo twitter nos trará essa semana.

Coragem, gente. Muita.

Si todo cambia

Há muito tempo, tive um amante que me ensinou com palavras e na prática: não existe amor sem ressentimento.

Amar, por mais maravilhoso e transformador que seja, cobra um preço. Nunca insignificante. Nunca em apenas uma prestação. Nunca sem juros e correção monetária e não, não aceitam esse cartão.

O Drops é meu amor. Meu grande amor.

Não vou explicar o que é um blog, todo mundo já sabe. Nem vou discutir se é possível fazer literatura em blog. Participei de uma jornada literária há quase vinte anos, na mesma mesa que os enormes Alexandre Inagaki e Idelber Avelar (eles, uns monstros da blogosfera, eu, um café-com-leite-babão) e já naquele tempo afirmávamos: o que se faz em blogs é literatura. O tempo, esse lindo, só nos deu razão.

Sigo no Drops, há dezessete anos, fazendo literatura. Boa literatura. Consistente, cuidada, boa mesmo. Hahahaha, não vou bancar a sonsa, adoro o que escrevo, pelamor. Produzo aqui no Drops a literatura que sei e posso produzir, a literatura que amo. E faço amigos. E aprendo coisas, e leio coisas novas que me chegam nessa prainha, há tantos, tantos anos.

Vou dizer: amo esse pedaço de chão. Adoro vir aqui. Seja lá onde “aqui” for. Passamos, Drops e eu, por mais mudanças e solavancos do que é humanamente possível explicar. Ele nunca falhou. Nunca titubeou, nunca hesitou.

Eu, às vezes, empaquei. E hei de empacar de novo e de novo no futuro. Errei, me perdi, esqueci a senha, taquei longe os dicionários. O Drops, nunca. Ele nunca falhou. Nunca deixou de estar.

Redes sociais vêm e vão, jornais, partidos, condomínios blogueiros, modinhas, coletivos de textos, todos esses trens passam e passam.

O Drops está aqui. O Drops não vai a lugar nenhum.

Temos fotos, turma. E canecas, e desenhos, revista com artigos dos queridos, sacolas, quadrinhos e folhetim assinado por convidada especial (em breve, aguardem), fotonovelas em portunhol (em breve, aguardem, de novo). Temos musiquinha (MUSIQUINHAAAAAA) e linques para outras casas lindas – fiquem de olho nessa barrinha lateral porque ela vai ser uma riqueza. E temos comentários em todos os posts! Sim, sim, falem comigo!

Mas antes de qualquer outra cousa, temos textos. Textos, sei que vocês se lembram. Textos.

E, ah, temos vida, temos vida, temos vida. Estamos atentos, fortões pra cacete e, como sempre, desbocados. Estamos firmes. Pode não parecer, porque essa vida nos quer de joelhos, mas estamos firmes. A cada dia, a cada instante. Firmes, firmes.

Vamos produzir. Vamos ser autorais. Vamos vamos colocar em palavras, vamos relembrar, afofar, destruir, definir, esquecer, confundir, avaliar, julgar, atacar e perdoar, vamos dar forma aos pensamentos e aos desejos e aos anseios e aos quereres.

Se havia ressentimento, nós o superamos.

E escrevemos, todos os dias, sempre, sempre, caneta tinteiro em punho, mãos manchadas de azul, municiados com teclados afiados, monitores radioativos, livrão de citações do Paulo Rónai, canetinhas de flamingo e cadernetas que a Telinha compra para nós na Casa Cruz.

Nossos corretores ortográficos em riste, chispas nos olhos, fúria no coração.

Ergamos o rosto para receber o vento e sigamos em frente.

Uma palavra de cada vez.

O Drops, como Minas, está onde sempre esteve. Ainda que o endereço, ali na barrinha de navegação, às vezes precise ser atualizado.

Vem cá, meu bem.

Faça um pé descalçar o outro, acomode-se com um gato no colo – tenho vários, pode escolher –, apanhe uma taça, dê um abraço na Suzi Márcia (ela merece todos os abraços) e brinde comigo pela vida: a sua, a minha, a do Drops.

Cent’anni.

Que vivamos cem anos.

Todos nós.