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A chuva varrendo a rua

Choveu a noite toda e eu pensei em você. O que, além de patético, é duma estupidez alucinante, posto que tenho mais trabalho acumulado do que Deus no quinto dia e não posso ficar idealizando seus defeitos como uma moçoila do século XIX. Mas pensei em você. Ouvi a chuva. Separei conflitos armados entre gatos de diferentes facções. Bebi água como um peixe. Pintei duas caixas e pendurei mais uns negocinhos bonitos no meu armário. Do portão, espiei a chuva varrendo a rua, sacudindo as árvores. Fumei cigarros de cravo. Bebi um café de quinta categoria. Resmunguei em voz alta. Trabalhei, trabalhei demais. Pensei em você.

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