Acho que a chuva ajuda a gente a viver: um primeiro amontoado de pensamentos sobre mudança

Tenho pensado demais em mudanças de toda sorte.  A mudança virá, queiramos ou não e, conforme o tempo passa, isso fica mais claro. Mudamos porque precisamos mudar, porque queremos mudar, mas também porque simplesmente acordamos a cada dia um tantinho diferentes.

Alteramos, modificamos, transformamos, viramos, variamos. Contamos outra história, buscamos novo contexto, trocamos o nome das personagens, convertemos a essência e nos tornamos o que sempre fomos, o que imaginamos, o que pensávamos detestar, o que tínhamos certeza temer.

Nós nos transmudamos, afastamos, desviamos, transferimos. Trocamos o dia pela noite e o objeto de nosso desejo. Substituímos, cambiamos, permutamos, damos um novo nome ao velho cão e seguimos em frente.

Mudar é, também, inventariar. Para mudar, precisamos passar em revista nossos bem materiais e imateriais. O que temos, o que acumulamos, o que honramos, o que está em sacos pretos lá no sótão, não usado, não visto, não amado. Inventariar para doar, manter, jogar fora, tacar fogo no meio da rua e dançar pelado em volta da fogueira, besuntado em sangue de carneiro (no meu bairro isso não é tão difícil de acontecer, não).

Inventariar o que nos cerca e escolher, escolher, escolher. Escolher também é mudar.

Mudamos, alteramos e nos movemos. A arca que nossa mãe nos deu vai para o outro lado do quarto, a cor do nosso cabelo nunca foi tão escura, os livros de arte mudaram para a sala.

Por fim, acreditemos que mudar é bom. Mesmo quando é ruim, é bom. Trago comigo os ensinamentos dos muitos filmes e séries de zumbi em meu repertório e, por isso, sei: mudar é viver. Só sobrevive quem muda, quem se muda, quem permanece em movimento. Quem para, morre.

Segura no pierrô molhado e vem comigo, ladeira abaixo, sob as bençãos de Caê. Seja o que Deus quiser.

4 comentários em “Acho que a chuva ajuda a gente a viver: um primeiro amontoado de pensamentos sobre mudança”

  1. você escreveu: “Mudar é, também, inventariar” e eu li: Mudar é, também, sinventar”. Você tem amigas estranhas (eu, no caso). Por um processo desses que é completamente aleatório mas que parece ter um sentido justamente porque reparamos nele, estava Bethania cantando Quereres quando abri cheguei aqui pra ler seu post (claro que se fosse Chico César cantando Isso – que começou logo a seguir, eu nem prestaria atenção e chegaria a mencionar, etc). Eu bem precisava ler este post. Voltei pra análise e suspeito que estou tentando reencenar alguma coisa. E vem se espalhando por tantas áreas da vida que é até embaraçoso. Mas o que eu queria dizer mesmo é que seu texto tem um jeito de fisgar a gente de um jeito que a gente não quer nem pensar se concorda, só quer ficar nele porque é tão bom e bonito.

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