Domingo-caderninho

Anotações desconexas, o dia todo com vontade de chorar, canetas sem tampa, desenhos ruins, letra feia, calor em julho, coisas difíceis de falar, coisas difíceis de ouvir, as ferramentas que não possuo, os retornos inesperados, calor demais em julho, o dia todo com vontade de chorar, madrugada de vizinhos barulhentos, sentir-se alquebrada, comida horrível, circunstâncias atenuantes, bagunça, cansaço, tristeza, a raiva absurda de não conseguir fazer diferente, objetos fora do lugar, garrafa de água tônica explodida dentro do freezer, o dia todo com vontade de chorar, evidências claudicantes, impotência, viver para lutar um novo dia, compota de goiaba, calor no pés, pescoço pinicando, almoço bem horrendo, transgressões mínimas, o dia todo com vontade de chorar, respostas improváveis, toalhas na máquina, total impossibilidade de catar aquele telefone e ligar e pedir pra você só cantar pra mim – uma música depois da outra. O dia todo com vontade de chorar, o dia todo com vontade de chorar, o dia todo com vontade de chorar, o dia todo com vontade de chorar, o dia todo com vontade de chorar.

4 comentários em “Domingo-caderninho”

  1. Tá aqui meu ombro e um cafuné. Do lado de cá teve vídeo bonitinho. Umas crianças fofas por perto (mesmo que esse perto seja ver e ouvir no computador) deu um passar menos dolorido pro dia. E um livro que o Fabi indicou e que eu tô gostando tanto, tão descompromissado, tão gostosinho. Eu penso que quase não escrevo mais à mão, mas as cadernetas não param de acabar, sei lá como é isso. Fiz consulta com médico virtual e agora tô tomando uns comprimidos pra rosácea não espocar meu rosto que nem filme B de terror. Infelizmente são dias sem álcool, ou seja, dias com menos dia ainda do que eles vinham sendo. Coloquei a vitrola no quarto porque, né, ela ficava na sala (no “lugar” da tv) pra quando tivesse amiguinhos e aglomeração e tal. Levei pro quarto porque imaginei o quanto ela tava se sentindo inútil (e nem fiz esforço pra imaginar, é como me sinto). Acabou o gás na sexta de tardezinha, o moço veio trocar, deixou alguma coisa vazando, não sei consertar, outro homenzinho vem arrumar (oi, corona, por favor, não leia estas palavras) mas só pode na segunda, vivi o fim de semana à base de frutas, requentados no microondas e gentileza de estranhos (brinks, minha irmã me deu almoço hoje… que sorte ter vizinha). Já falei do ombro? Do cafuné? Mando também um abraço longo.

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