As suas costas macias

A morte de Aldir Blanc fala sobre você e sobre mim. A perda dele é minha, reconheço, é sua, ainda que você não queira reconhecer. Num país sitiado pela imbecilidade, pela negação, pela pulsão de morte, é compreensível que você não reconheça o quanto a sua vida é afetada com a perda de um Blanc. Cada vez que sofremos uma perda desta magnitude, nós nos aproximamos da miséria, da falta de sentido. Com apenas uma peça de sua imensa obra, Blanc contribuiu com a poesia, a beleza, a graça e humor do mundo de maneira que você e eu jamais seremos capazes em toda a nossa vida. Ele se foi. Parte fundamental de nós também. Ele se foi. Ele se foi e suas palavras e rimas e expressões geniais e capacidade de entender e não entender quem somos também se foi. Ele se foi, parte do meu coração se foi. Ele se foi. Ele se foi. Ele se foi.

2 comentários em “As suas costas macias”

  1. Aldir Blanc só biologicamente se finou, porque à lei da morte ninguém escapa. Mas, com tal obra, continuará bem vivo para todos os que, enquanto biologicamente vivos, jamais cessarão de admirá-lo.

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