Querido diário Querida Dani

Querida minha: 20 de maio. O frio chegou, mas nem tão convicto. A alergia misteriosa vai e vem. Como o seu, meu corpo também está tentando se livrar de alguma coisa. Acho que é de mim. Continuo tristonha. Amiga tá meio estranha e eu, com a minha sensibilidade nula, não sei se ela está gentilmente me dizendo que nao quer mais ser minha miga. Odeio não entender sinais. Que bom que a discussão sobre Kafka foi boa, de verdade. Tou que nem você, sem paciência, sem coragem e, Deus por minha testemunha, sem condição nem de brigar. Sim, tou um cado mais ativa no grupo. Longe do ideal, mas é o que tenho dado conta. No tuinto também. Opa, pausa pra eu reclamar: todo dia o caminhão do reciclado passa tardão. Hoje que eu enrolei, ele tá passando nesse instante. Como meu joelho direito (que se chama Herodes) e eu não daremos conta de nos arrastar até o portão em tempo, reclamo aqui com você. Tá. Voltando. Pessoas, opiniões, gentes, você sabe. E apesar de ser um trator, eu não quero ser um trator. Quero ser uma pessoa doce e primaveril, quero sorrir, quero lançar gentilezas ao redor, quero ser querida. Mas como isso não passa de ilusão, refreio minha vontade de dar opinião sobre tudo. Menos no Drops, porque é para isso que ele existe e aqui, porque essa é a sua cruz, hahahaha. E sobre a endorfina: ela é uma danadinha 🙂 Falta muito para o Natal?

4 comentários em “”

  1. (como você disse que não tem problema um comentário gigante e sem noção, lá vai)
    Cheguei mais de 21hs em casa, exausta depois de três expedientes na universidade. Fui arrumar a pia (não lavar a louça, ainda não) e quebrei uma caneca querida, chorei. Catei um pão com manteiga, um copo de iogurte e resolvi comer lá em cima. Daí chutei a quina do degrau da escada e, claro, chorei. Piscando as lágrimas, passei o olho pelas notícias e vi: morreu Niki Lauda, lenda da fórmula 1 e eu chorei (não me pergunte se pelos apenas 70 anos dele, se por mim que assistia isso nas manhãs de domingos tão outros, se apenas porque meu mundo não para de se acabar antes de mim). Não dei prosseguimento na conversa com a amiga, não continuei a leitura do bom livro, não escolhi um filme bom na tv a cabo ou netflix. Deitei e fiquei olhando as pás (é assim que chama?) do ventilador de teto desligado (não porque não esteja calor, mas porque ele tá com defeito e eu nunca consigo me organizar o suficiente pra chamar o eletricista, daí estou usando o do quarto de visitas) enquanto o embaçado do dia secava. Antes de entregar os pontos e dormir o sono que não sinto porque amanhã o dia me exige cedo, vim aqui pra ver se havia alguma conversa nova. E havia. “como o seu, meu corpo também está tentando se livrar de alguma coisa. Acho que é de mim” eu devia ter rido, mas eu chorei. “quero ser uma pessoa doce e primaveril” eu devia ter chorado mas eu ri. Mas esse comentário todo era apenas pra dizer que eu, apesar de não fumar, tenho uma cigarreira que comprei na Feira da Ladra. Não sei onde está, claro, mas qual a novidade, ando perdendo até a mim. Eu gargalho ainda, mas sorrio bem menos. Queria mesmo era comprar uma passagem e tomar café da manhã com você em uma padaria meio metida, vamos pedir mimosas?

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