O que é e o que não é nosso dever

A canção dos anos 1980, a década da qual jamais nos livraremos, pergunta se você ainda pensa em mim. Sei que não e te odeio por bem mais de um segundo, meu bem, bem mais.

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suportes materiais que registram, de forma indelével, meu pasmo, minha irrelevância, meu pavor diante da vida, meu imenso amor por você

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Zotto acolá esmerilhando numa milonga, e eu aqui, procurando por adjetivos que sei que não existem.

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Péssimo momento histórico pra começar a ler O conto da aia, dona Fabia.

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Rio em setembro (talvez), Curitiba em junho (bota talvez nisso) e já é quase segundo semestre desse ano irreal.

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Escolher é o verbo mais cruel. E o mais necessário.

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Pera e gorgonzola numa varanda que não é minha. A colcha cheira a Anais Anais e mal posso acreditar que ela seja necessária em algum lugar de São Paulo num abril que mal começou. Escolhi uma caixa cheia de saquinhos de chá, dei aula, contei o número de comprimidos na latinha, quase fiquei enjoada e não disse uma palavra sequer. A mão morena de alguém colocou mel no fundo da xícara. Em algum lugar da casa, Vinícius morre de amores, palmas marcam o ritmo e acho que ouvi uns latidos. Mas até domingo, nada disso é problema meu.

4 comentários em “”

  1. O pensamento desliza? o pensamento desliza e fiquei pensando que queria que meu peito, meu coração, minh’alma fosse como as colchas de retalho que a avó e a tia-avó (e as amigas delas) da Wynona Ryder fazem naquele filme tão suavemente tolo, mas é, são, sou (qual o sujeito verbal? jamais – me – saberei) como a parede em mosaico que aparece depois da altercação… tem alguma beleza mas não podemos afirmar se é apesar ou por causa da dor e já não importa, seriam menos bonitos mas preferidos os objetos intactos. Setembro no Rio, quero, quero, quero. Pera e gorgonzola, também quero. Li O Conto de Aia faz um tempão, a faculdade de Psicologia é um lugar estranho.

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    1. Ai, queri. ❤ Eu escrevo e daí vc sempre diz o que eu preciso quero ouvir. Sempre mesmo. Muitas, muitas vezes, nesse blog quase esquecido por Deus, Lu, eu tenho a impressão de estar escrevendo só para você. Sabe? "Vou escrever um trem, a Lu vai ler, vai comentar. ❤ ❤ Liamo.

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