Alguns fatos sobre mim

Por ora, ao que tudo indica, aquele negócio deu certo.

Sob o patrocínio de você-sabe-quem, esteve aqui o sr. Aldenor, fazendo justiça com as próprias mãos. O portão tá uma lindura.

Ouvi mais Chico Buarque do que permite a Convenção de Genebra, mas em minha defesa quero dizer que não está fácil.

Dei aula para a Cláudia hoje. Ela vai para o Japão.

Sentada no jipe – e com um delicado e estranhamente calmo Chico no colo – ouvi a chuva rugir.

Tomei chá de hortelã.

Arrumei várias gavetas e separei três enormes caixas de livro para doação. Fiz um envelope pra Maloca.

Passei algum tempo com a Priscila na interneta, ela xingando a conexão de lá, eu reclamando da minha. Não foi produtivo, mas é sempre bom estar com ela.

Dei vários conselhos bobos para o Char sobre como ele deve cuidar do gatinho que caiu no quintal. Evidentemente que, como velho comunista que é, ele batizou a pobre criaturinha de Josef. Não sei porque me dou ao trabalho de falar com essa gente. Planejo intervir na criação do pequeno antes que seja tarde demais.

Ganhei um rímel chique toda vida.

– A Suzi me ensinou que “rasteira é sempre de amigo, porque inimigo a gente não deixa fazer isso com a gente”, mas eu ainda fiquei triste. Me sinto bem idiota, sabe, e em vez de ficar com raiva, que é o que eu devia mesmo fazer, fico triste. Sou aquele patinho gigantesco e obeso que anda atrás dos patinhos pequenos e bonitos, implorando para que alguém brinque com ele. Acho que o nome dele era Huguinho.

– Passei um tempão on-line com o Paulo e pensamos em muitas listas do que temos a fazer. Ele vai procurar mundos outros e eu vou investigar velhinhos de monóculo. Nem pergunte.

– O cara da água veio entregar… água, você acertou. 

– A Dani me mandou foto da gata dela enroladinha e eu queria estar lá, na casa da Dani, com a gata da Dani e lendo as cousas que a Dani escreve.

– Sinto horrivelmente, horrivelmente, horrivelmente falta sua. 

(Você não acha que se a gente repetir “horrivelmente” três vezes, bem rápido, devia, sei lá, acontecer um feitiço, abrir uma fenda estranho-temporal e a gente ir pruma dimensão paralela e fazer o que quisesse para sempre? Sei lá, é só uma ideia, nem precisa responder).

Março de 2019

6 comentários em “”

  1. Que lindeza, Fal! Fui lendo bem devagarinho, imaginando que era um áudio seu, como velhas amigas que a distância mantém separadas, mas que nas letras se reencontram. Que lindeza!

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