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Alma bem mais iluminada do que a minha (não é preciso muito, como nós dois sabemos), já disse que o cara que filosofa demais na interneta é o cara que tomou um pé na bunda e não superou porra nenhuma. Sem confirmar ou negar que tomei um pé na bunda, eis que aqui estou mais-ou-menos filosofando, ainda que aparentemente posta em sossego.

Em menos de um mês, o Drops fará dezessete anos. Em vida de blog, isso é coisa pacas. Nestes quase dezessete anos estivemos em três endereços e, a qualquer minuto, vamos para o quarto. O quarto endereço, não, isso não é uma proposta. O Drops e eu desistimos de você.
Nestes dezessete anos, cultivei amigos e desafetinhos (ênfase no diminutivo, produção). Dei aulas e cursos, montei programas, fui socorrida e socorri, enfrentei bravamente mesas literárias (e ao meu lado, sempre, Janjão, minha síndrome de pânico), perdi meu marido, mudei de casa – como o Drops – três vezes, catei mais gatos na rua do que o senso comum recomenda, fui à falência não uma, mas duas vezes, traduzi livros lindos, publiquei cinco livros infernalmente bons (se você achou por um segundo sequer que eu ia falar mal dos meus livros, você enlouqueceu), escrevi artigos, resenhas e pareceres, sofri imensas decepções (gigantescas, abissais, mas, ei, quem nunca?), fiz e derrubei contas no Twitter, Linkedin, Insta, Orkut e Facebook, comecei uma newsletter, me apaixonei e desapaixonei e apaixonei de novo, fumei um monte de mentolados e tomei um monte de cacacolas (oi dr. Romeu, tudo bom?), larguei mão do tonalizante e abracei a causa da henna, roí unhas suficientes para construir uma represa, votei no Suplicy e no Adriano Diogo toda vez que tive chance, perdi meu cãozinho, minha gata gordona e mais um monte de amiguinhos queridos, parei de dirigir, mudei de ideia toneladas de vezes, perdi amigos em vida, fiz os melhores risotos do Brasil (do mundo, do universo sideral), li uns livros supimpas, aprendi a beber vinho, adotei outro cãozinho, fui rezada via Embratel pela Telinha, tomei café da manhã ao lado de pessoas sensacionais, fui a algumas exposições, deixei de ser professora particular, voltei a ser professora particular, aprendi a plantar coisas, repeti para elaborar, enterrei dois de meus melhores amigos, arrumei minha coleção de brincos, tomei rasteiras profissionais de assustar, cantei para amigos de outros cantos do mundo, mereci canções via celular, inventei Maximus e a turma dele, fiz contas, abri uma editora, recortei revistas, desenhei florinhas, estilhacei vidro, desintegrei papel, esmigalhei sonhos, botei uma cafeteria e um filtro no meu quarto-escritório, que chamo de Apart-hotel do conde Drácula, aliás, desenvolvi um léxico muito, muito particular, com palavras que agora o pessoal usa por aí e nem sabe que nasceram aqui.
E nesses dezessete anos, tive, fiz parte, construí e amei loucamente meu Drops.  
Quando paro para olhar, muita, muita coisa começou aqui. Amores, chiliques, projetos, uma esperancinha ou outra, planos mirabolantes, projetos de dominação mundial. 
Devo tudo, quase tudo, ao Drops, a essas palavras e imagens, a esse espaço, meu espaço, meu. De muitas formas, minha casa. 
Nalguma hora dessas, o Drops vai pruma casa nova. 
E vai continuar sendo a minha casa. 
E a sua, sua casa, se você quiser vir conosco.

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